Blog do Digão


O milagre da incredulidade
28/05/2012, 7:36 pm
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Hoje em dia, vejo que o que chama a atenção do pessoal das igrejas é a questão do milagre. Não que eu descreia na existência deles, mas acho que essa ênfase nos milagres muito ruim. Afinal, se as pessoas estão num caminho de milagres que hoje vai chegar, qual o destino final deste caminho?

Lendo a Bíblia, especialmente os Evangelhos, é espantoso como Jesus foi parcimonioso em relação aos milagres quando estes se referiam aos Seus discípulos. Tudo bem que a sogra de Pedro foi curada (Mt 8.14, 15), e o Senhor andou por cima das águas para Se encontrar com os discípulos em meio a uma grande tempestade (Mc 6.45-52); mas, com exceção destes, não sei de nenhum outro milagre feito para os discípulos.

Em compensação, vemos um monte de milagres direcionados para pessoas de fora do círculo de intimidade de Jesus: água transformada em vinho (Jo 2.1-12), demônios expulsos (Mc 7.24-30), pessoas mortas ressuscitando (Lc 7.11-17), leprosos ficando limpos de seu mal (Lc 17.11-19), pães e peixes multiplicados que alimentam uma grande multidão (Mt 14.13-21), gente doente ficando sã (Mc 7.31-37).

Ao que parece, o discípulo Filipe entrou nessa onda de milagres. Enquanto Jesus confortava seus discípulos, pois a hora de Seu sacrifício estava chegando, Filipe disse ao Senhor que ficaria satisfeito só em ver milagrosamente o Pai (Jo 14.8). Jesus lhe deu uma resposta que serve para todos nós hoje: quem vê a Mim vê o Pai (Jo 14.9).

Ou seja, a razão da pouca quantidade de milagres entre os discípulos é que eles já tinham o melhor de Deus (que já veio, não está por vir), que é o próprio Jesus. Já as multidões, que não tinham a convivência com o Senhor, tiveram que se contentar com o pequeno paliativo dos milagres.

Sim, creioem milagres. Mascreio também que há algo maior que se esconde por trás desta questão, que é a incredulidade. John Stott certa vez afirmou que a ênfase que alguns dão ao dom de cura é uma cortina de fumaça para a falta de fé. Afinal, o Deus que cura doentes é o mesmo que manda maná do céu ou levanta mortos do túmulo, mas não vejo ninguém pedindo para cair pão celestial… O mesmo se dá em relação aos milagres: como o relacionamento com Jesus envolve fé, amadurecimento e, consequentemente, tempo, compromisso e mudança de vida, muita gente descobriu um paliativo religiosamente aceitável, que é a busca frenética por milagres.

Enfim, não nego a realidade dos milagres. Eles atestam a intervenção externa de Deus em um sistema aberto, que é nosso universo. Mas Deus já providenciou algo melhor. Em vez de ações pontuais, externas e isoladas, temos a presença (interna) constante de Jesus, que prometeu nunca nos abandonar (Mt 28.20). E isso, definitivamente, é muito melhor do que qualquer milagre.



Medievalices
28/05/2012, 5:18 pm
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Agostinho (354-430) nasceu em Tagaste, no norte da África, onde atualmente fica a Argélia. Teve uma vida dissoluta, mesmo para os padrões de seu tempo. Envolveu-se com várias mulheres, chegando a ser um pai “avulso”. Também envolveu-se com os maniqueístas, seita de seu tempo que entendia que o universo era regido por duas forças antagônicas (bem e mal) de igual força e potência. Tendo viajado à Itália, a contragosto de sua mãe cristã, Mônica, abandonou o maniqueísmo e abraçou o ceticismo neoplatônico, mas logo encontrou-se com Deus, ouvindo Sua voz enquanto passeava em um jardim.

Sua conversão influenciou não apenas sua geração (para usar um jargão da moda), mas também a nossa. Ele foi o responsável pela “dessatanização” da filosofia em seu tempo, especialmente Platão. Ajudou a formatar o pensamento ocidental, a teologia, a filosofia e o direito. Debateu contra a heresia de Pelágio, que afirmava que a salvação podia ser produzida por Deus com a ajuda do homem, e venceu a disputa. Foi o último dos chamados pais latinos da Igreja, e também o maior deles. Seu pensamento também ajudou grandemente a Reforma Protestante (Martinho Lutero era monge agostiniano), que brotou cerca de mil anos após sua morte. Se você entende que somente a graça de Deus é capaz de redimir o homem de maneira sobrenatural, ou que o homem é irremediavelmente corrompido pelo pecado, agradeça a Deus pela vida de Agostinho.

Agostinho foi a “porta de entrada” da chamada Idade Média, assim como Tomás de Aquino foi sua “porta de saída”. A Idade Média viu florescer absurdos como o papado absolutista e a Inquisição, fruto direto desta, como também a sede desmedida por dinheiro através da venda de indulgências. Viu também o florescimento de crendices e superstições por parte de um povo que não era instruído na Palavra. Mas viu também homens e mulheres santos como João da Cruz, Teresa de Ávila, Jan Hus, Francisco de Assis, Girolamo Savonarola e John Wycliffe, além dos próprios citados Agostinho e Aquino. Foi na Idade Média que também surgiram centros de preservação do conhecimento, os mosteiros, que deram nascimento às universidades.

Por tudo isso vejo como desonestidade histórica e intelectual a peroração de Ricardo Gondim ao afirmar que deveríamos rever o conceito “medieval” de salvação. A picaretagem teológica do arauto do teísmo aberto agora quer atingir o cerne da mensagem bíblica. Enfim, para quem afirmou carnavalescamente que não quer mais se identificar como evangélico, mas segue sendo pastor de uma igreja evangélica, ou questionando a influência dos estadunidenses no ethos evangélico brasileiro mesmo devendo sua formação teológica a uma instituição estadunidense, coerência não é mesmo um referencial.



Você é fogo, eu sou paixão
12/05/2012, 11:32 am
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Terranova? Não, Wando

O maior sucesso do falecido cantor Wando se chama Fogo e paixão, e dizia: “você é luz, meu raio estrela e luar, manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô”. Como a Bíblia ficou há muito ultrapassada, descon-fio que a inspiração de muitos não vem mais de um livro semita antigo, mas do falecido cantor romântico mesmo. Acho até mesmo que seria perigoso Wando ser entronizado como apóstolo, no ritmo em que as coisas andam.

Explico: primeiro, as pessoas não sabem mais o que dizem. Como na pós-modernidade o significado das palavras pode variar, graças ao desconstrucionismo de Derrida, o mesmo ocorre com termos en-contrados dentro deste grupo social. Por exemplo, muitos falam em serem apaixonados por Deus. É uma paixonite aguda que mais parece coisa de adolescente cheio de espinha e fã do Luan Santana! É paixão pra cá, é paixão pra lá… E dá-lhe aquelas coreografias apaixonadas por Deus, mesmo sem se importar com o princípio de decência e ordem (1Co 14.40) dada pelo próprio Senhor… Porém, a Bíblia não diz para nos apaixonarmos, e sim para amarmos a Deus. Há uma grande confusão, e as pessoas acham que a ordem de Jesus em amar a Deus sobre tudo se refere à nossa vida emocional. Mas o amor ao qual Jesus Se refere não é uma emoção, e sim uma ação. Deus amou o mundo de tal maneira (Jo 3.16) que agiu, enviando Seu Filho ao mundo. Jesus amou Seus discípulos (e, por extensão, a todos nós) demonstrando Seu amor não com beijinhos, afagos ou suspiros, mas morrendo na cruz. Amor a Deus não pode ser comparado com paixão, pois não pode ser rebaixado a uma simples emoção, volú-vel e volátil com as circunstâncias da vida.

Segundo, outra coisa que vejo é a fixação com o fogo. Todo mundo pede fogo, mesmo sem saber o que significa! Até parece que o pessoal quer fazer uma gigante festa junina gospel, obviamente sem a presença de S. João (mas quem sabe com outra presença “ungida”…). São tantas canções que falam a respeito de fogo que temo que o pessoal venha a fazer xixi na cama de noite! Acontece que nem sem-pre fogo é símbolo da presença do Espírito Santo (Is 4.4, At 2.3). Na verdade, o fogo é usado com mais frequência na Bíblia como símbolo da justiça de Deus sendo executada (Dt 4.24, Hb 12.29, Is 10.17, Ml 3.2, Jr 5.14, 23.29, Jr 48.45, Lm 1.13, Ez 39.6, Sl 119.139). É também usado como símbolo de perseguição (Lc 12.49-53) e perversão moral (Is 9.18, Pv. 6.27, 28).

Isso tudo porque o pessoal não quer saber de teologia. Em sua ignorância, muitos acham que isso é coisa de intelectual frio, afastado do Espírito e voltado somente a livros empoeirados que são mais uma Disneylândia para ácaros e traças do que fonte de informação. Esquecem-se de que a própria Bí-blia nos diz para estudarmos a Palavra (Js 1.8), a fim de que possamos ter um bom guia para nossa existência (Sl 119.105), encontrando nela a pessoa de Deus revelado em Cristo (Jo 5.39). Teologia é, sim, uma ótima ferramenta contra os lobos vestidos em pele de apóstolo.

Como diria o orador romano Cícero, que tempos os nossos! E que costumes!



Um conto de fadas
10/05/2012, 1:05 pm
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Há um novo seriado na TV fechada (e através de downloads) muito bom, chamado Once upon a time – em português, Era uma vez. Apesar de parecer bobinho à primeira vista, torna-se cativante à medida que sua mitologia interna se desenrola: nas histórias de contos de fada, Branca de Neve está para dar à luz a uma menina, e esta criança salvaria todo o reino mágico de uma maldição lançada pela Rainha Má. Esta maldição se concretiza ao trazer todos aqueles personagens – Branca de Neve, Príncipe Encantado, os Sete Anões, Cinderela, etc. – até nossa realidade sem nenhuma magia. Além disso, eles vivem entre nós completamente desmemoriados, com uma vida simples e comum – Branca de Neve é professora de crianças, o Caçador é o xerife, o Grilo Falante é o psicólogo local, e por aí vai. Acontece que o que faz a série ser cativante é a complexidade dos personagens, nunca antes vista: o Espelho Mágico seria, antes, um gênio da lâmpada que se apaixonou perdidamente pela Rainha Má, e foi aprisionado no espelho como punição; a Rainha Má também sofre com suas maldades, que são fruto parcial de uma falha de caráter da Branca de Neve; o Príncipe Encantado é, na verdade, um impostor; e nem vou falar quem é verdadeiramente o Lobo Mau para não estragar a surpresa.

Quando lemos a Bíblia, ela nos revela que os personagens históricos ali retratados eram tudo, menos seres unidimensionais: o rei Davi, homem segundo o coração de Deus, era péssimo pai, péssimo marido e péssimo governante, mas ainda assim arrependia-se de seus pecados; o profeta Jeremias, chamado por Deus para anunciar Sua Palavra ao povo, sofria crises existenciais e de fé terríveis no cumprimento do dever; Jonas, chamado a pregar em uma cidade estrangeira, decidiu fugir para não ter que cumprir sua vocação, que foi, relutantemente, cumprida após a experiência com o peixe; Paulo, apóstolo enviado aos gentios, tinha um passado assassino que não fazia questão de esconder, amparando-se, contudo, não na própria experiência, mas na Graça; Marcos, posterior discípulo de Pedro e um dos evangelistas, foi, no passado, um “boyzinho” e o motivo da cisão entre Paulo e Barnabé; Pedro, o primeiro líder da igreja, comportou-se de maneira reprovável na igreja da Galácia; Jesus, nosso Senhor e Deus, sofreu fome, sede, teve crise depressiva e ficou muito bravo com o mercantilismo religioso de Seu tempo.

A igreja evangélica brasileira, que hoje em dia é qualquer coisa menos verdadeiramente evangélica, tem reduzido a multidimensionalidade humana a uma triste unidimensionalidade. Qualquer traço de diversidade de dimensões e experiências é logo rechaçado. Segundo a mensagem pagã que infesta os palcos das performances dominicais e infecta a alma do povo, qualquer outro destino que não seja a vitória, o sucesso e a vida regalada deve ser negado, a não ser que, numa mistura de epicurismo com hedonismo, o sofrimento pode ser permitido se trouxer um prazer (material) enorme ao seu fim. A mensagem pagã propagada nos hospícios que já se chamaram igrejas nada fala sobre real adoração a Deus, mudança de caráter, pecado ou arrependimento; em vez disso, transforma seus ouvintes em meros participantes de um festejo a Baal, que era o deus fenício da prosperidade, ou Baco, seu equivalente romano. Como os cultos a Deus, que prezam pela santidade e reverência ao Seu nome, foram trocados por verdadeiros bacanais palatáveis à classe média, pode-se fazer tudo, desde “trenzinhos” até mesmo surtos catárticos.

Jesus se tornou gente para que pudéssemos viver nossa humanidade para Sua glória. Mas Baal, o deus deste século e de grande parte da igreja evangélica, quer retirar a humanidade de circulação de nossas vidas, uma vez que ela reflete a obra de Deus. Tornando-nos personagens de contos de fadas, onde o final feliz é garantido no fim, glorificamos, mesmo, é apenas ao nosso ego doente. E ao próprio Baal.



Deixei de ser evangélico
09/05/2012, 1:10 pm
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Sem o menor sentimento de culpa admito que me tem sido coisa rara a afirmação “sou evangélico”. Nem sempre foi assim. Houve tempos, já escondidos pela névoa do tempo, nos quais eu sentiria santo orgulho de tal identificação: que saudades! O tempo não para, dizia o poeta. E o tempo passou, sem muita poesia, assassinando poetas, e consagrando, quase sempre, gente cuja poesia maior é dedicada a ídolos. Nos esquecemos da primeira regra do Decálogo: adoramos personalidades, a nós mesmos, o sucesso, o dinheiro, o poder, os títulos eclesiásticos… Diante de Deus, nós, e nossos muitos deuses.
Recentemente questionaram qual minha opinão sobre o Padre Fábio de Melo, o cabeleira de gel, sem batina, que vive dizendo que tudo é “liiiiindo!”, ter dito: “Eu também sou Evangélico!”. Não deixa de ser uma declaração bonita e, quiçá, fruto de algum amadurecimento proporcionado em tempos pós Vaticano II. Tudo muito “liiiiiiindo!”. Admitamos, por mais anti-catolicos sejamos, nada é tão prazeiroso que ouvir um padre reconhecendo que a salvação é por Graça, e que nossa missão principal é anunciar o Evangelho de Cristo. No entanto, creio que o padre precisa dar uma atualizada na cabeleira, já que a idéia que ele tem sobre o que é ser “evangélico” está defasada há, no mínimo, uma década e meia! Atualmente, ser evangélico pode significar qualquer coisa, o que nos leva a significado nenhum. Eis o grande mal dos evangélicos de nosso tempo: crise de identidade. A única coisa que o evangélico mediano parece saber sobre si mesmo, via de regra, inclui: que sua denominação é, em algum sentido, melhor; que ele é filho da promessa; que ele tem o selo da promessa, e que apesar de não ser dono do mundo, é filho do Dono! Não é “liiiiindo, minha gente”?
Assim, minha primeira razão para deixar de ser evangélico está no fato de que essa gente, os evangélicos, não sabe o que ser evangélico significa. Pergunte a maioria de seus amigos evangélicos: o que é o evangelicalismo? Qual sua origem? Quais seus postulados? Faça um teste, e comprove: quase absoluta ignorância. Somos uma geração que nada sabe sobre os Grandes Depertamentos, ou sobre nomes consagrados de nossa tradição evangélica, como Jonathan Edwards, John Wesley, Charles Finney, Dwigth L. Moody, etc. Nem mesmo o contemporâneo Billy Granham escapa imune a nossa ignorância crônica. Aliás, o Billy só volta ao imaginário dos “gospi” quando algum aloprado escatólogico faz malabarismo para associá-lo a sociedades secretas, e a complôs promotores do Anticristo… Em contrapartida, sabemos tudo sobre espiritos territóriais, ex-satanistas, ex-noivas-do-Capeta, símbolos satanistas ocultos, pregadores-sem-língua, maldições hereditárias, e, claro, campanhas de Sementes, com Bíblias superfaturadas.
Por falar em Bíblia, eis minha segunda razão para deixar de ser evangélico: somos um povo ignorante das Escrituras, e da Teologia! Não só isso, além de ignorantes, temos orgulho do fato! Dia após dia, cresce a idéia de que um cristianismo realmente bíblico, que segue o modelo da Igreja Primitiva, é um cristianismo anti-intelectual. Canonizamos a ignorãncia. Tal blasfêmia sempre esteve presente, com honrosas excessões, na religiosidade pentecostal (de onde eu venho), mas não é privilêgio apenas daquele grupo, infelizmente. Mas, como pentecostal de berço, vou me ater ao que diz respeito a minha experiência mais imediata. “Igreja do Senhor!” – esbraveja o falastrão: “eu tinha um sermão prontindo para vocês esta noite; porém, quando eu chegei neste lugar, o Espírito Santo mudou tudo – fez aquele rebuliço! Por isso, quero lhes dizer que tenho uma mensagem vinda diretamente do céu para vocês! Hoje, eu não quero nada com Teologia: Deus vai falar diretamente com você!”.
Só tem um nome para isso: apologia da burrice. Atitude que não encontra nenhum paralelo no exemplo deixado por Jesus Cristo: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que deles se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24.27).Que ousadia têm aqueles pregadores e cristãos que desprezam o saber teológico, preferindo em seu lugar qualquer outra coisa, como experiencias e emoções! Eles se acham melhores que Cristo? Eles se consideram mais eficazes que o próprio Senhor, a quem dizem servir e amar? Do contrário, não é certo que deveriam seguir Seu exemplo? Como se atrevem a desprezar aquilo que Seu Deus valorizou?
Intimamente relacionado ao que foi dito acima, identifico minha terceira razão para deixar de ser evangélico. Aqui, um boa dose de cautela, pois estarei pisando em terreno perigoso. Inicio meu argumento com uma exemplificação: que dirá um cristão evangélico contra um cristão católico que, por exemplo, acredita em Purgatório? Resposa bem fácil: “A Bíblia não fala nada sobre um Purgatório, meu filho, acorda!”. De fato, e não falando, os evangélicos se recusam a se submterem a um dogma extra-bíblico. Sabem o motivo? É que um dos pilares do Evangelicalismo vem direto da Reforma Protestante: o sola scriptura, segundo o qual, nada do que não esteja explicitamente ensinado nas Escrituras possa ser imposto aos crentes. Mas, ironicamente, aqui nasce um problema para os evangélicos de nossos dias: quando se trata de passar suas próprias tradições e práticas pelo crivo das mesmas Escrituras, ele rapidamente se saírão com a excusa de “não julgueis para não serdes julgados”, ou qualquer imbecilidade como “cuidado, o cara é ungido Senhor; e não se deve tocar nos ungidos”. Santa hipocrisia!
Ainda sobre isto há mais a se dizer: não apenas usamos o Sola Scriptura na balança da hipocrisia, como também o elevamos a um status de ídolo cego e manco. Calvino? Wesley? Spurgeon? Agostinho? Cramer? Confisões de Fé? Livros de Oração Comum? Não precisamos de nada, nem de ninguém, só das Escrituras! Conseguem perceber o desvirtuamento, a falsidade insinuante? Inventamos a idéia de que ter a Bíblia como regra suprema de fé implica na rejeição do que Deus, por Seu Espírito, fez durante séculos de cristianismo! Porém, se alguém ousar questionar o desatino anti-biblico de algum apóstolo moderno, temos resposta rápida e eficaz: “Cuidado com a Letra, abra seu coração para o mover do Espírito!”. Nada mais nos interessa, ao menos, nada que tenha acontecido antes do nosso profeta, apóstolo ou bispa preferidos.
Admito, meus queridos, que há gente na Igreja Brasileira que ainda faz jus ao título “evangélico”. É possível que os mesmos sintam-se injustiçados com minhas generalizações. Me solidarizo, acreditem. Infelizmente, por mais triste que seja, o termo evangelico perdeu seu valor, não por si mesmo, mas pelo mau cheiro de quem não lhe soube extrair o perfume. E, cá entre nós, nada mais eficaz para despetar um moribundo que uma boa descarga eletrica no peito: ou acorda, ou bate as botas de vez!
De modo que, tomo a liberdade de me definir como “um cristão, a favor do Evangelho, mesmo que precise ir contra os evangélicos”. Peraí! Acho que isso é bem Evangélico, com E maiúsculo, não acham?
O excelente e verdadeiro texto é do mano Marcelo Lemos, e pode ser acessado aqui.


No Princípio
08/05/2012, 5:37 pm
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No Princípio era o Verbo. O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele é a razão da existência do universo; sem Ele, nada do que existe hoje existiria. O Verbo é a luz dos homens; feito gente, o Verbo habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, a glória do Unigênito do Pai. O Verbo sofreu nossa morte para que vivêssemos Sua vida e nos chamou para sermos filhos do Pai.

O Verbo foi pregado, proclamado, vivido, testemunhado. Por causa do Verbo, muitos sofreram mortes atrozes, como Jon Huss, ou foram duramente perseguidos, co-mo Wycliffe. O Verbo foi traduzido para a língua do povo, como fez Lutero, para que o povo tivesse conhecimento do Verbo. O Verbo impulsionou servos para fora de sua zona de conforto, trazendo-os a terras de gente com uma língua estranha aos seus ouvi-dos, como o português. Pentecostais, como Gunnar Vingren e Daniel Berg, ou históricos, como Robert Kalley e Ashbel Simonton, deixaram tudo para trás para viverem o chamado do Verbo no Brasil. Católicos, como Francisco Xavier, e metodistas, como Hudson Taylor, foram para a Ásia (Japão e China, respectivamente) atendendo ao chamado do Verbo.

Mas hoje não é mais o Verbo. Hoje é a Emoção. Ela toma conta de tudo. É o paradigma existencial de um crescente grupo social que se denomina “evangélico”, mesmo que o Evangelho lhes seja apenas uma pálida sombra de algum tempo imemorial. O Verbo precisa ser examinado, meditado, pensado; já a Emoção, como o crack, tem efeito imediato; e, como o crack, exige cada vez mais uma dosagem maior.

A Emoção deixa o Verbo de lado, ou então manipula o Verbo ao seu bel prazer. A Emoção não se furta de fazer com que seus pregoeiros se ridicularizem na frente de uma congregação confortavelmente anestesiada, mandando beijos para alguma entidade mítico-cósmica a quem chamam de “Jesus”, apesar de não guardar nenhuma semelhança com o Jesus da história e da fé. A Emoção traz euforia plena e imediata; ao contrário do Verbo, a Emoção não exige arrependimento, mudança de vida ou conversão; apenas um salto de fé kierkegaardiano e um embotamento de todo senso crítico que possa com-prometer o mistério da Emoção que se desenrola. A Emoção seqüestra os significantes da fé protestante e lhes atribui novos significados, sem que haja protesto. Se para Descartes o axioma básico era “penso, logo existo”, para a Emoção e seus seguidores o pa-radigma é “Fico eufórico, então que se dane o resto”.

No Princípio era o Verbo. Hoje é a Emoção. Mas não vivemos no Princípio. Vivemos no Fim.



Ilari-ilariê, aleluia
02/04/2012, 6:07 pm
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Beijinho, beijinho, ô grória!

Recentemente, a senhora Maria da Graça Meneghel veio à baila novamente. Certa apresentadora de TV faria uma homenagem a Airton Senna, falecido piloto brasileiro e o último de sua espécie (a não ser que você leve o Barrichello a sério). Porém, esta homenagem não poderia ser completa, uma vez que o nome de Meneghel, antiga namorada de Senna, não poderia ser citado, já que esta se encontra em litígio judicial contra a emissora de TV por ter veiculado fotos suas em que ela aparece desinibidamente na revista Playboy.

Pois é, este é um grande paradoxo da nossa cultura brasileira: Meneghel, que é mais conhecida por seu apelido infantil de Xuxa, despontou na sua carreira de modelo como uma espécie de furacão sexual. Namorou Pelé (o responsável pelo seu estrelato), posou pelada inúmeras vezes, estrelou um filme em que simula sexo com um ator que à época tinha 12 anos (“Amor estranho amor”), começou a apresentar um programa de TV na antiga Rede Manchete onde as roupas eram mínimas, bem como sua paciência com as crianças (seus esculachos com a meninada ficaram famosos). Seu sucesso (e a ajudinha de Pelé) a levaram à Globo, onde até hoje se encontra. No auge do seu sucesso, chegou a protagonizar cenas lamentáveis, como o incentivo a crianças a fazer a dança na boquinha da garrafa. Carla Perez (aquela do “i de iscola”) chegou a declarar que Xuxa foi seu grande modelo. Hoje, depois da maternidade, Xuxa encaretou e quer apagar seu passado de erotismo infantil, recorrendo aos meios legais possíveis para isso.

Enfim, uma legião de meninas (e alguns meninos aboiolados) foi diretamente influenciada por Xuxa e seu tratamento distorcido do sexo. Isso não poderia ser diferente no meio evangélico, apesar da intensa pregação em meios fundamentalistas contra a apresentadora, que chegou a ser até mesmo satanizada – quem não se lembra dos boatos de que ela seria adoradora de eXU e XAngô, o que teria originado seu apelido? Obviamente não sei de casos de crianças filhos de crentes que dançaram na boquinha da garrafa (mas não duvido que tenham ocorrido casos assim); afinal, sexo e sexualidade sempre foram assuntos malditos dentro do sistema religioso em que muitos vivem. Mas é claro que, como membros de uma sociedade adoecida, muitos jovens evangélicos foram atingidos pelo erotismo infantil de Xuxa.

Eu sempre pensei sobre a razão de muitas cantoras de grupos evangélicos cantarem de modo extremamente sensual. Algumas (e alguns) artistas gospel cantando e gemendo “Paaaaaaaaaaaiiiii…” me trazem arrepios – certa vez ouvi uma apresentação, em CD, de determinado expoente gospel em que não sabia se o sujeito estava tendo um AVC ou um orgasmo (talvez os dois ao mesmo tempo). Também sempre achei estranho como até mesmo cantores homens ficarem cantando “eu sou do meu amado”, numa clara falta de contextualização de Cantares, abrindo caminho para todo tipo de interpretações homoafetivas, além de alguns dançarem feito bambis sob efeito de LSD. Sei que apenas a influência da Xuxa não é suficiente para um quadro desses. Há de se pensar também no evangelho rarefeito que é ensinado hoje em dia por aí, misturado com dicas de bem estar e autoajuda – dependendo da igreja que se freqüenta, um manual do SEBRAE edifica mais. Essa insistência de querer mostrar o membro de igreja sempre como o “vencedor” está criando uma geração de mimados e desajustados para a vida. Mas sei que, além desses ingredientes, ainda faltava algo para explicar o atual quadro de descalabro litúrgico brasileiro.

Como Deus é bom e Sua misericórdia dura para sempre, Ele me mostrou um terceiro componente nesta equação erótico-espiritual. Caiu em minhas mãos um pequeno livro de Anselm Grün, monge beneditino alemão que está tendo bom espaço entre os católicos. E sua aceitação se deve aos seus méritos, pois é um bom escritor na área da espiritualidade cristã. Lendo seu livro “Espiritualidade e entusiasmo” (Ed. Paulinas), me deparo com algo que me esclareceu sobre nossa liturgia. Fazendo um pequeno histórico sobre o desenvolvimento da mística na história, ele descreve aquilo que é chamado de “mística do amor”, um tipo de espiritualidade que se desenvolveu na Idade Média. Diz-nos Grün:

 

Na mística do amor – sobretudo na mística feminina da Idade Média –, trata-se do amor a Jesus Cristo, ou do amor de Deus, que se aproxima do homem de uma maneira feminina, antes da forma masculina. A mística do amor praticada pelas beguinas – mulheres que, sem pronunciar votos, viviam livremente em grupos espalhados nos Países Baixos e na Bélgica, nos séculos XIII e XIV –, era sobretudo uma mística nupcial. Para elas, Jesus era o noivo que abraça a pessoa mística. Essas místicas falavam sobre suas experiências numa linguagem erótica. Nisso era muito apreciada a interpretação do Cântico dos Cânticos do Antigo Testamento. (…) As místicas falam sobre o namoro divino, em que podem alegrar-se da proximidade de seu noivo divino. (…) a união com o Amado nunca é um fundir-se ou dissolver-se; é um “doce abraço” ou um “beijo espiritual” (p. 44, 45 – grifo meu).

Portanto, este é o terceiro elemento que faltava: a erotização do louvor conforme praticado pelas beguinas na Europa medieval. Como a igreja evangélica brasileira atravessa um período de obscurantismo comparado muitas vezes ao da Idade Média (mas sem as influências de S. Agostinho, S. Tomás de Aquino ou das nascentes universidades), parece que estamos em casa…

Sei que a Bíblia me diz que meu relacionamento com Deus envolve, também, a parte afetiva, emocional (Mt 22.37). Sei também que os calvinistas, de modo geral, precisamos tomar cuidado com uma espécie de embotamento emocional que pode advir de estudos teológicos malfeitos e vivências eclesiais falhas. Mas nada, absolutamente nada, me autoriza a ter um relacionamento amoroso com Deus com base no erotismo. A dimensão erótica deve ser vivenciada entre um homem e uma mulher no matrimônio; com Deus, a dimensão do amor é o ágape, e envolve casados, solteiros, eunucos, crianças, adultos, etc., em um relacionamento vivo, verdadeiro e pessoal com o Eterno. Cantar para Deus “abraça-me”, ou entoar um mantra dizendo que está “doente de amor”, é fugir completa e totalmente do sentido do amor de Deus revelado em Cristo nas Escrituras, esbarrando perigosamente no risco de se adorar um deus alheio à revelação bíblica.

Uma geração que cresceu assistindo aos programas da Xuxa entoa canções amorosas pretensamente voltadas a Deus, mas usando conceitos e categorias de pensamento próprias de um relacionamento puramente humano, chamando isso de louvor, com grande aprovação do povo, que compra seus CDs e DVDs e alimenta a máquina. Uma liderança eclesial que falta com sua obrigação de ensinar o povo acerca da pura e verdadeira Palavra de Deus, preferindo repassar conceitos de empreendedorismo, vitória a qualquer preço e estímulo ao ego; uma mentalidade intensamente hedonista, marca de nosso tempo, que se torna presente com toda força através de um misticismo medieval em que o erótico se confunde com o metafísico. Esta é a estrutura que mantém a indústria de entretenimento gospel brasileira, e porque não dizer, mundial.



Finalmente cruzamos a Linha do Desespero
19/03/2012, 6:03 pm
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Recentemente uma turma de autodenominados humoristas realizou um espetáculo em São Paulo, onde o humor seria calcado no preconceito. Haveria piadas sobre todo tipo de clichês: negros, gordos, gays, judeus, etc. o público, provavelmente compartilhando a mesma mentalidade resumida dos autodenominados humoristas, teve que assinar um documento comprometendo-se a não se ofender com qualquer ataque de injúria travestido de humor perpetrado naquele lugar – documento sem nenhum valor legal, diga-se de passagem. Logo no início da ocasião, um dos pseudoartistas fez uma conexão entre negros e macacos, fazendo com que o tecladista daquela apresentação, negro, se retirasse e acionasse a Polícia Militar.

Pouco tempo antes, um cartunista de certo órgão noticioso estava em um restaurante acompanhado da namorada e da mãe. Lá pelas tantas, quis ao banheiro, mas dirigiu-se ao feminino ao invés do masculino. Certa senhora, acompanhando a neta de dez anos, não aceitou a presença do cartunista, que gosta de se vestir de mulher, e este revidou aprontando um escarcéu, fazendo com que movimentos gays, em nítida falta do que fazer, o apoiassem e chamassem a todos os opositores, como sempre, de homofóbicos, apesar de o cartunista, mesmo com a maluquice se ser cross-dresser, não ser propriamente homossexual, já que namora uma mulher.

Francis Schaeffer, se estivesse vivo, certamente diria que ultrapassamos a Linha do Desespero. Na sua trilogia (“O Deus que intervém”, “A morte da razão” e “O Deus que Se revela”) ele traça um estudo sobre este fenômeno, mas restringiu seu foco sobre a Europa e os Estados Unidos. A Linha do Desespero é a passagem de uma cosmovisão teísta (mesmo que não necessariamente cristã) para uma cosmovisão existencialista pura e simples, quando nada do que fazemos, vivemos ou sentimos faz sentido; tudo se torna, como bem diz Salomão no Eclesiastes, vaidade, vazio e correr atrás do vento. Tal limite é ultrapassado quando o cristianismo se torna irrelevante devido a suas bases serem minadas.

Schaeffer identifica, tanto na Europa quanto nos EUA, o liberalismo teológico como elemento corrosivo da cosmovisão cristã naqueles dois locais. Quando se relativiza a autoridade da Palavra, ou quando engessa-se sua inspiração na gaiola da inerrância, perde-se ou desmoraliza-se por completo qualquer base autoritativa de sentido de vida que possamos ter. Afinal, é a Bíblia que nos revela Deus em Cristo; é a Bíblia que nos mostra Seu tremendo sacrifício morrendo pelos eleitos; é a Bíblia que nos mostra o terrível juízo de Deus contra o pecado.

Hoje o liberalismo teológico possui duas formas que, se aparentemente são diametrais, essencialmente são farinha do mesmo saco. Ora traveste-se de roupas finas e chiques; ora desce do pedestal e coloca chapelão de cowboy. O moderno inimigo da cruz não a ataca de forma abjetamente explícita, mas antes cita poetas brasileiros e escritores russos – podendo também se valer de uma argumentação ad hominem, em que quem profere a mensagem é a própria fonte autoritativa dela. Ambas as formas negam a autoridade das Escrituras, relativizando-a: uma de forma pseudointelectualizada, preocupada com a maneira com que a mensagem do amor de Deus pode chegar ao homem do século 21; a outra de forma atabalhoada, mas não menos voraz em seu avanço em querer tomar corações e mentes para si. Ambas as formas de neoliberalismo teológico negam o sacrifício de Cristo: uma, ao realocar o atributo do amor de Deus sobre todos os outros, inclusive sobre a soberania (que foi riscada do mapa), fazendo com que, em última análise, o universalismo soteriológico seja a única alternativa viável (concordando com o fundador da LBV, Alziro Zarur, que escreveu o “Poema ao irmão Satanás”); a outra, ao atrelar à salvação valores monetários e atitudes humanas, fazendo com que João Tetzel fique, enfim, orgulhoso por ter gerado discípulos.

Isso tudo desmoraliza o cristianismo bíblico. Se não somos mais o sal da terra, qualquer alternativa de vida se torna válida. Se Deus não existe, como bem disse Dostoiévski, tudo é permitido. Tal como Jonas, a tormenta que se abate sobre nossa sociedade é culpa nossa. Afinal, o que dizer de determinado telebaalista (“televangelista” é muita concessão!) que não desmentiu ser chamado de “Ratinho evangélico”? E isso ainda é muito injusto, já que Ratinho, no seu programa, tem momentos de lucidez, diferentemente de sua contraparte religiosa.

Nossa cosmovisão cristã se tornou peça de museu. O teísmo aberto e o neopentecostalismo são duas faces da mesma moeda existencialista, que tentam dar as cartas no cenário religioso atualmente abraçando uma cosmovisão fruto da Linha do Desespero. Sinais da apostasia que se abateu sobre nós. Que Deus nos dê graça para passarmos os dias que se avizinham!



A malignidade de Mike Murdock
12/03/2012, 7:57 pm
Filed under: igreja, vida de gado

Mistura de Clóvis Bornay e Valter Mercado

A Bíblia nos fala de gente ruim, maligna, perversa. Não importa onde esteja, essa gente sempre está pronta a destruir a vida alheia em favor da própria. São chamados de “filhos de Belial”. Em 1 Sm 2.12, Hofni e Fineias, filho do sacerdote Eli, são apresentados assim. O que é pior, a Biblia afirma que eles não se importavam com o Senhor, mesmo trabalhando no templo.

Mexendo na internet, me deparo com um post indignado. Mike Murdock, mentor de Silas Malafaia na arte de amealhar grana com o suor alheio, é apresentado como filho de belial no blog Scotteriology. No vídeo do post, é dito no início que é preciso ter “estômago forte” para ver as bobagens perpetradas por Murdock, quando ele afirma que está tendo uma sensação (vinda de Mamom, obviamente) de que, quem usar o cartão de rédito para doar US$ 1000 dólares à sua empresa religiosa (que chama de ministério), Deus apagará o valor da fatura! Assim como os filhos do sacerdote Eli, Murcodk também não se importa com Deus, apesar de sua pretensa afirmação em representá-lO.

Apesar de mostrar a mazela do lixo murdockiano, fico feliz em ver que até mesmo na terra natal do apóstata gringo há gente insatisfeita com o estado das coisas. Sinto-me, então, menos solitário, sabendo que irmãos em outros países se levantam contra esse lixo do diabo chamado de teologia da prosperidade.

Aproveitem e leiam o texto do blog Scotteriology.

Ah, quase ia me esquecendo: cheguei a este blog estadunidense através do Contorno da Sombra. Sempre é bom dar crédito a quem merece.



As ovelhas de Tashlam
01/03/2012, 2:54 pm
Filed under: geral

Escrevi este texto há muito tempo, antes mesmo de ter este blog ou participar do Genizah. Na internet só participava do site da revista Ultimato. Como o texto é bem extenso, joguei no GoogleDocs, e espero que vocês curtam. Cliquem aqui.

 




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