Blog do Digão


Um jesus customizado
03/09/2009, 5:18 pm
Filed under: igreja, vida de gado

badassjesusA banda inglesa Depeche Mode escreveu uma música, no fim dos anos 80, chamada Personal Jesus (Jesus pessoal), que já foi regravada por um monte de gente, incluindo a franga do capeta Marilyn Manson. Só conheci a música através da regravação do Rackets & Drapes, que eu considero muito boa.
A letra dizia o seguinte: O seu próprio Jesus pessoal / Alguém para ouvir suas orações / Alguém que se importa / (…) / Alguém disponível (minha tradução é meio canhestra mesmo).
Lendo o resto da letra (aqui), dá para se notar que Depeche Mode faz é uma crítica ao sistema religioso. Se é uma crítica pertinente ou não, é algo para se debater depois.
Só sei que, hoje em dia, tem muito jesus pessoal por aí. Tem o jesus pessoal da turma que gosta de curtir miséria, e acha que a pobreza, por si só, é virtude que leva ao céu e que, por isso, não luta por condições melhores de vida, esquecendo-se que o Reino também é vivido aqui na terra. Tem o jesus pessoal daqueles que prometem o céu na terra, fazendo chover Veuve Cliquot na sua horta transgênica de maconha estragada. Tem o jesus pessoal, relido com óculos embaçados de Marx, que é doido para pegar um fuzil e libertar os oprimidos na marra e na bala. E tem o jesus pessoal dualista cósmico.
Paul Hiebert, no artigo Batalha espiritual e cosmovisão, publicado no livro Missiologia global para o século XXI (se encontrar em alguma livraria, compre e leia porque é muito bom) afirma que há várias maneiras de se encarar a questão da batalha espiritual, chamadas de cosmovisões. Entre elas, está a cosmovisão indo-européia.
Vamos tentar entender melhor: a maneira como você “vê” Deus, o mundo (incluindo aí você mesmo) e como se dá essa relação, é chamada de cosmovisão. Portanto, todos nós temos uma.
Voltando a Hiebert, ele diz o seguinte:
Essa cosmovisão é encontrada no Zoroastrianismo, Maniqueísmo, Hinduísmo e em outras culturas moldadas pela cosmovisão Indo-Européia. Nela, deuses poderosos batalham pelo controle do universo: um busca para estabelecer um reino de justiça e ordem, e o outro um império do mal. Os seres humanos são inocentes vítimas pegas no conflito cósmico. O efeito é incerto, pois ambos lados são igualmente fortes. Bem e mal aqui, contudo, não são definidos em termos morais absolutos. O bem é associado com nosso povo e o mal com os outros. Nossos deuses e pessoas ocasionalmente pecam e fazem o mal, mas eles são “bons” porque eles estão no nosso lado. Outros deuses e povos fazem o bem, mas eles são “maus” porque eles estão contra nós.
Essa é a maneira atual de se encarar a Jesus na igreja evangélica atual. O jesus pessoal de grande parte do evangelicalismo pode fazer tudo, porque é um guerreiro poderoso. Ele faz chover, faz relampejar, faz nevar. Isso tudo porque Ele é de nossa propriedade particular. É mágico, terapeuta ocupacional e um amante de grande apelo erótico. Mas Ele é bom única e exclusivamente porque está conosco, caso contrário… Não é à toa que tem gente que diz que, na oração, encosta Deus na parede, cobrando-lhe a parte devida na “sociedade”. Portanto, quando disserem que a igreja evangélica brasileira está se paganizando, saiba que estão sendo até gentis. Parte essencial do evangelicalismo, que é sua cosmovisão, já tem imensas semelhanças com os hindus e os maniqueístas, ou seja, já é pagã. Que Deus tenha misericórdia de nós!
Ah, para provar que sou bonzinho, pode ler o artigo de Paul Hiebert aqui.

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