Blog do Digão


Aprendendo com quem menos se espera
09/02/2010, 4:03 pm
Filed under: igreja, Ultimato

Nossos tempos são complicados. Imitando o presidente Lula, nunca antes na história desse país vimos um crescimento numérico tão expressivo da igreja evangélica. Ao mesmo tempo, nunca antes na história desse país vimos tanta iniqüidade junta. Muito crente, pouco sal fora do saleiro, pouca luz iluminando a escuridão.
Prova disso é a falta de uma discussão positiva com bases cristãs a respeito do movimento gay. Algo que saia fora do já conhecido “homossexualismo é pecado” – ainda que biblicamente correto, o que isso quer dizer para o homem pós-moderno do século XXI? E como nos desvencilhar do cunho moralista que o conceito “pecado” recebeu, retornando ao seu conceito teológico original? Não podemos fechar os olhos: é um movimento que cresce a cada dia, avança sobre todos os espaços, inclusive eclesiásticos, e é politicamente incorreto apontar suas falhas – apesar deles apontarem as falhas alheias a todo momento.
Mas, ainda que o homossexualismo seja pecado (assim como o é a homofobia e também a heterofobia), será que dá para aprendermos lições positivas com o movimento gay? Será que o princípio bíblico de 1 Ts 5.21 (examinar tudo, reter o que é bom) também se aplica aqui? Creio que sim. O risco maior que corremos é encontrarmos coisas positivas que deveríamos encontrar em nossos arraiais, mas que se encontram em falta.
Por exemplo, o movimento gay é extremamente coeso. Mexeu com um deles, mexeu com todos. Prova disso são as manifestações promovidas por associações gays quando ocorrem crimes cometidos contra homossexuais. Eles podem até mesmo nem conhecer pessoalmente a vítima, mas o que importa, na visão deles, é que um do grupo foi atacado, portanto todo o grupo sofre.
Outra coisa que podemos aprender deles é a militância. Estão sempre nos jornais, revistas, TV, rádio, internet, propagando seus valores de uma sexualidade distorcida. Sempre apregoam o seu modo de vida, apresentado por eles como uma alternativa de vida válida para o nosso tempo.
E o que dizer da identificação deles? Estão sempre estimulando os gays “em potencial” a, na gíria deles, “saírem do armário”, ou seja, se assumirem como gays. Colocam a cara para fora, não se importando se os que estão à volta vão reprová-lo, pois entende que sua essência é assim, e não dá para mudar.
Coesão. Militância. Identificação. Coisas que TAMBÉM são caras a nós, cristãos. Mas, onde está a nossa coesão? Como podemos falar em unidade, quando o irmão que sofre ao meu lado, por pensar de modo diferente certas nuances teológicas secundárias, é jogado às traças? Como podemos falar em militância, quando nossas igrejas gastam milhões em reformas de templos cada vez mais suntuosos, mas gastam (quando gastam) das sobras em missões? Como falar em identidade, quando não sabemos mais se somos protestantes, neo-medievais ou pós-evangélicos?
Obviamente há as exceções, os 7000 salvos da idolatria a Baal. Mas, onde há exceção, há a confirmação da regra. Poderíamos apresentar o Evangelho ao movimento gay, mas (sempre tem um incômodo “mas”) qual deles? O da prosperidade, o do Reino, o dos sinais e maravilhas (nem tão maravilhosos assim), o das novas “unções” (o último do mercado sobrenatural é o dos quatro seres viventes), o do Leão (que não seja o do Imposto de Renda!)?
Quando o movimento gay tem aspectos positivos caros a nós, mas que não estão presentes no movimento evangélico, é hora de se parar e refletir. Será que é isso o que Jesus quer de Seu povo? Não será hora de um tempo de arrependimento, perdão e reconciliação, com o próximo e com Deus?

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2 comentários so far
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Digão, Lí e reli esse texto e por mais que ele seja desconfortável é verdadeiro.

De fato, a igreja se esfacelou em instituições dignas de uma Babel, que buscam poder humano para realizar obras que são espirituais e poder espiritual para realizar o que é humano e o amor há muito esfriou.

Parte dentro e parte fora destas instituições está a verdadeira Igreja, que luta como o marisco entre a onda e o rochedo. Cristãos lutam contra a maré mégalo-mistico-legalista criada por essas instituições e a dureza pragmática dessa sociedade sem Deus.

Fiquemos firmes!

No Amado
Ielton Isorro
http://clamandonodeserto.blogspot.com/

Comentar por Ielton Isorro

Caro Digão…

Excelente reflexão. Acredito que precisamos voltar para nós mesmos e sermos sinceros e humildes: estou amando como Jesus me instruiu e ensinou?

Como indicou o pr. Paulo Romeiro: se queremos saber para onde uma denominação caminha, devemos avaliar sua Cristologia.

Concordo com ele e com você. Qual Evangelho será anunciado?

Deus nos guie pelas suas santas veredas e pelos caminhos de Seu coração.

Comentar por Leonardo F. Couto




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