Blog do Digão


Stryper e a patrulha de plantão
22/03/2010, 3:58 pm
Filed under: igreja, vida de gado

A primeira banda de música cristã (não gosto do rótulo “evangélica”, e música “gospel” simplesmente é outro gênero, nada a ver com o que é chamado de gospel no Brasil) que ouvi foi Stryper. Conheci a banda antes mesmo da minha conversão, e achava interessante quatro caras cabeludos e maquiados cantarem coisas de Deus e soltando gritinhos de “aleluia”. Era o auge do glam metal, em meados dos anos 80. É, sou meio dinossauro.

Stryper acabou e voltou. Tive a oportunidade de vê-los ao vivo em Belo Horizonte. Um dos melhores show que já assisti, com certeza.

Stryper sempre foi alvo de controvérsia. No começo eles eram combatidos por (a-ham…) Jimmy Swaggart, que os acusava de jogarem pérolas aos porcos, numa referência à distribuição de bíblias no show. Foram questionados em relação à fé, por causa das roupas de palco e do som.

Agora vem uma notícia que, com certeza, atiçará o patrulhamento: Stryper gravará um disco só com covers de bandas seculares. Gravarão músicas de Iron Maiden (horror!), Kiss (horror!!), Queen (horror!!!), Judas Priest (horror!!!!), entre outros. Posso sentir o cheiro das tochas sendo acesas.

Sou um cristão protestante há exatos 22 anos. O que me entristece é que a mediocridade e o farisaísmo gerais crescem na proporção inversa do meu envelhecimento. Os evangélicos (com as exceções de praxe) são marcadamente superficiais, fúteis, irrelevantes e egocêntricos, quando deveriam trazer uma mensagem profunda, impactante, relevante e altruísta. Medimos a vida do outro com base em nossa expectativa de satisfação egoísta. O espelho virou molde. Preocupam-se com a estética, e pouco se importam com a ética.

Como disse alguém que ainda não descobrimos quem foi, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal (Hb 5.12-14).

Pois é. A falta de intimidade com a Palavra gera pessoas que afirmam que a oposição a seus “negócios” é fruto de “inveja”, como disse certa vez Marco Feliciano. Essa mesma falta de intimidade gera os necessários seguidores/consumidores/tietes desse tipo de gente, que confunde ministério com carreira e negócio. E, para finalizar, essa falta de traquejo faz com que pessoas impliquem com outras por gravarem músicas seculares, mas fazem ouvidos de mercador para as idiotices proferidas pelas estrelas gospel do momento.

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7 comentários so far
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É bem por ai.
Gospem mosquitos e engolem camelos!!
Eu particularmente, aprecio boa música, “ponto”, “sem virgula” e “mas”.
Em abril vou no último show da carreira do Simple Red, que será aqui em SP. Claro, o sinédrio de plantão, já está alvoroçado, mas te confesso que tô pouco preocupada.
Quem consome Marco Feliciano não pode me criticar sobre absolutamente nada.

Comentar por Adriana

To hell with the devil!

Comentar por Gabriel

Não vejo muita diferença entre o que o blogueiro critica e entre o que aprecia.
Trazer paradigmas de nítido desvirtuamento para justificar desvirtuamentos que lhe parecem “menores”. Ora, ambos erram o alvo. Que há “alimento sólido” em bandas que fizeram fama justamente por combater a moral cristã, não há dúvida.
Mas certamente não é alimento sadio para a edificação espiritual.
Vagar entre dois mundos: querer ser amigo do mundo e amigo de Deus ao mesmo tempo…Pegar o arado e olhar para trás… Voltar ao que um dia reconheceu como leviano…
Se alguém “não vê nada de errado” em coisas mundanas (e que não são espiritualmente neutras), é tempo de reavivar a comunhão com Cristo.

Acusar de farisaismo quem aponta para a Palavra nítida não é uma boa defesa.

Abraços.

Comentar por Franco

Digão,

Tava fuçando o Genizah e vi seu último texto por lá sobre tatuagem. Como sou um gibi ambulante gostei muito.

Ao clicar no seu nome cai aqui, e logo de cara um texto muito bom sobre o que se considera música ‘sagrada’ x música secular.

Existem boas bandas no meio secular assim como existem péssimas bandas no cenário ‘gospel’.

O evangélico mediano não sabe lidar com a liberdade. Preferem um pacote pronto de regras de como proceder, afinal, como disse (mais ou menos assim) Orontes para Artaban em O Quarto Sábio, “lidar com a própria liberdade dá muito trabalho”, sendo melhor ser escravo de alguém.

Ah, com referência às “coisas mundanas” acima referidas, qual é o fiel da balança a ser utilizado para chegar à estas conclusões? Nem tudo o que me faz mal faz mal ao meu próximo, e vice versa.

Para escandalizar de vez: “Ao ouvir To Tame a Land do Iron Maiden (entre outras músicas e bandas consideras ‘ducapeta’), sinto a presença de Deus…

E ai, há esperança para o meu caso?

Preciso me re-converter?

Estou olhando para trás?

Pessoalmente não penso assim nem vejo razão para tal. Fico imaginando se na festa de casamento das bodas de Caná Jesus estava na festa ouvindo ‘musica gospel’, além do já tantas vezes debatido ‘suco de uva’…

Um grande abraço!

JC

Comentar por João Carlos

Bom, no meu caso, uso a seguinte fórmula: aquilo que não agride minha fé nem minha inteligência dá para ser ouvido. Então, ouço Flight of the Icarus, do Maiden, mas não escuto Stairway to heaven, do Led Zeppelin. Ouço hinos antigos mas não escuto Toque no Altar ou outros mini$tério$ parecido$. O resto é chilique de gente mal-resolvida.

Comentar por revdigao

ah, véio…ateh q enfim um pastor q curte metal cristão!! tah fazendo falta…ahhahhahaahah
Quanto ao Stryper, curto bastante, embora meu lance msm eh Metalcore e Deathcore/Death Metal e afins…
quanto às futuras críticas aos covers, eh sempre chato, pois sempre vai haver um desocupado pra dar xilique e falar bobagem… fui criado no meio desse tipo de gente e sei o quão chato e triste eh a vida desse pessoal…
eu msm n curto mto covers…tem q ser mto bom msm pra eu gostar (ex: Shining Star, do Earth, Wind and Fire, tocado pelo próprio Stryper), mas aprovo a decisão dos caras…
ah sim, e curto bastante a sua opinião, Rev. quanto à contradição dos crentes: acham q ouvir música secular é pecado, mas n acham pecado as heresias cantadas pelo “Toque no Altar”, “Diante do trono”, etc..

Comentar por Leo (HyoudooM)

João Carlos: o “fiel da balança” para se auferir o que é ou não “mundano”, no sentido de algo que alimenta a carne e não o espírito, no meu entendimento é o bom e velho Evangelho. Relativizando valores é que a cristandade caiu em armadilhas. O evangélico “mediano” e também os demais devem se pautar pelo Evangelho. Básico.

Comentar por Franco




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