Blog do Digão


Reflexões sobre a morte de Dio
22/05/2010, 5:36 pm
Filed under: igreja

Na semana passada, morreu o cantor Ronnie James Dio. Para muitos, um desconhecido. Mas, para quem gosta de rock, principalmente heavy metal, sabe que Dio era simplesmente o cara. Com uma carreira extensa, começando com a banda Elf, seguindo depois para o Rainbow de Ritchie Blackmore, sua fama explodiu mesmo quando substituiu Ozzy Osbourne no Black Sabbath. Saindo da banda, montou uma que levava seu nome, gravando com muita gente em projetos paralelos. Para quem não sabe, gravou até mesmo com Kerry Livgren, guitarrista do Kansas que se converteu e montou a banda AD. Dio pode ser achado no CD de Livgren Seeds of change, cantando To live for the King. Uniu-se novamente aos antigos companheiros do Sabbath, no projeto Heaven and Hell. Ficou famoso também por ter popularizado o sinal do chifrinho que, segundo ele, aprendeu com sua avó italiana, como um modo de se proteger contra o mau-olhado. Nos anos 80, inspirado pelo USA for Africa, monta o projeto Hear’n’Aid, para levantar fundos para o combate à fome naquele continente. Testemunhas dizem que Dio era um sujeito sempre cortês e gentil. Um gentleman, sem afetações e chiliques de estrelismo, tão próprios de rockstars. Um bando de lunáticos de Westboro, Estados Unidos, quer fazer um protesto no enterro de Dio.

O que me faz meditar não é sua longa carreira (morreu com 67 anos) e nem sua incrível potência vocal. O que me faz meditar é o paradoxo entre a cortesia de Dio em vida e a imbecilidade de Fred Phelps, mentor da “Igreja” (sic) Batista de Westboro, mentor do protesto anti-Dio. Também fico meditando como um homem pretensamente ímpio, como foi Dio, teve uma atitude perante a vida muito mais digna que muitos de nossas estrelinhas, starlets e wannabes gospelentos – recentemente, conversando com um irmão, ele me contou que certa cantora gospel cobrou R$ 30.000 para vir cantar em sua cidade. E o que fica pior, segundo esse mesmo irmão, é que tal cantora, assim como outros cantores gospel, não veio somente em sua cidade, mas fez uma pequena turnê em algumas cidades de Rondônia. Sempre cobrando 30 pilas em cada local. Bom, pelo menos ela não veio cantar usando playback, como alguns cantores que conheço, e que logo, logo, despontarão para o anonimato merecido…

Ou seja, Dio cantava sobre magos, bruxos, dragões, essas coisas. Nossos cantores gospel cantam sobre um deus que dá vitória em qualquer situação, já que foi “provocado” em seu sistema de freios e contrapesos cósmico – as famosas, e até hoje inexplicadas, leis do mundo espiritual. A semelhança que vejo entre Dio e nossos cantores gospel é que magos, bruxos, dragões e um deus obrigado a dar vitória pertencem à mesma categoria literária: ficção. Mas, infelizmente, Dio, o homem ímpio, teve uma vida muito mais impactante que muito “ministro” gospel. Duros os nossos dias!

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5 comentários so far
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fala, meu brother!!!
rapaz, sobre esse cara, eu confesso que só escutei Holy Diver (música massa), mas sei do importante papel q ele teve no mundo do Metal… Já sobre os babacas da Westboro, é uma falta de respeito não só com a família, mas com qualquer ser humano. A Mão de Deus vai pesar sobre aquela galera. Sobre a tal cantora que tava cobrando 30.000 pra cantar, eu acho um absurdo tão grande, cara, que uma grana dessas dava pra ajudar um monte de gente necessitada ao invés de suprir os luxos desse povinho “gospel”. só aqui msm… É por isso q prefiro as bandas cristãs de hardcore/metal lah dos States, vc vê em vídeos de shows dessas bandas e os caras n tem ataques de estrelismo, a galera canta junto com os caras, n tem aquelas frescuras de “Ah, eu amo fulano”, “Amo sicrano”, etc. A interação entre a banda e a platéia é boa, coisa de irmão msm… Se a maioria desses cantores “gospel” tivesse essa msm coisa q as bandas norte-americanas têm, com certeza o Reino só teria a ganhar, pena que a história é outra por aqui…

Comentar por Leo (HyoudooM)

eu conheci dio a pouco tempo e sei pouco sobre ele mas o admirava
Dio me parecia pelas entrevistas ser um cara muito otimista e alguem que valia a pena chamar pra tocar num evento
saudades eternas desse metaleiro

Comentar por helder

paz seja com todos

De fato o DIO deixou um ótimo testemunho dentro da cultura Rock. Diferentemente dos gospel Star e dos minister’s of god que deturpam as escrituras sagradas.

gostaria de compartilhar um exemplo do que digo, mas por ser extenso rspeitosamente convido o dDigão e a todos que passem no meu blog.

E leiam o absurdo que vivenciei em um seminsario supostamente cristão.

Permaneçam na Graça e frutifiquem nela

atalaiadocastelo.blogspot.com

Nicodemos

Comentar por Nicodemos

Olá, pelo q percebi este é um site cristão e queria parabenizar pelo discernimento, o bom senso, a tolerância e o respeito de vcs, oq é difícil hj em dia no meio cristão, q cada vez mais se divide e cada vez mais se corrompe.

Eu não sigo nenhuma religião (apesar de ser batizada na católica)e sou uma grande fã do Dio e de tudo oq ele fez, e só p esclarecer ele falava de bruxos e dragões nas suas letras mas as mensagens eram sempre positivas, falavam sempre de situações q te fizesse seguir em frente e enfrentar os obstáculos, como também abrir sua mente para as diversas formas de alienação no mundo (“Rainbow in the Dark”, “Stand Up and Shout”, “Heaven and Hell”…) são letras profundas q lendo c atenção vcs entendem. Infelizmente ele era um grande ser e parte do metal q se foi, ele é a prova q curtir metal ou rock’n roll n é sinônimo de ser vandalo, drogado e o idiota q geralmente as pessoas pensam. Ele soube conquistar a todos com sua voz, amor e respeito, não precisou criar qq polêmica degradante p poder subir no meio artístico.

Agradecida.

Comentar por Mayanna

Sim, Mayanna, sou cristão e procuro abordar temas sob essa ótica. Infelizmente tenho que concordar com você: no meio religioso que se diz cristão, há cada dia mais legalismo e desrespeito, tudo em nome de uma idolatria que toma o nome de “deus”. Música não é o foco principal aqui, mas é que também gosto muito de rock, e Dio tinha uma voz maravilhosa. Entendo que todos podem ensinar algo positivo, independente se a pessoa é cristã ou não.
Enfim, entendo que cristianismo é uma maneira de viver a vida, muito mais que um rótulo ou um sistema legalista que escraviza o ser humano, e que Jesus veio trazer vida, e não regulamentos. Fica na paz!

Comentar por revdigao




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