Blog do Digão


Quando pedras clamam
26/05/2010, 5:47 pm
Filed under: igreja

Não sei se você já leu Cristãos ricos em tempos de fome, de Ronald Sider, ou O lado oculto da globalização, de Tom Sine. O primeiro, se não me engano, se encontra esgotado (comprei meu exemplar por pura sorte, em uma livraria em Joinville), mas o segundo é encontrado facilmente. Mas, ao ler a notícia que coloco a seguir, lembrei-me imediatamente dos dois livros.

Economista passa 18 meses vivendo sem dinheiro e diz que nunca foi tão feliz

Mark BoyleBoyle vive em um trailer que ganhou de graça

Um economista britânico que passou os últimos 18 meses vivendo sem dinheiro está lançando um livro em junho contando a sua experiência (The Moneyless Man, ou O Homem Sem Dinheiro, em tradução livre) e diz que nunca foi tão feliz ou tão saudável.

Mark Boyle começou seu experimento em novembro de 2008, aos 29 anos, com o objetivo de chamar a atenção para o excesso de consumo e desperdício na sociedade ocidental.

Na ocasião, ele se mudou para um trailer que ganhou de graça no site de trocas britânico Freecycle e passou a trabalhar três dias por semana em uma fazenda local em troca de um lugar para estacionar o trailer e um pedaço de terra para plantio de subsistência.

Dezoito meses depois ele afirma que não pensa em voltar a usar dinheiro e que, com o que ganhar com a venda do livro, pretende comprar um pedaço de terra para montar uma comunidade em que outras pessoas que queiram viver sem dinheiro, como ele, possam morar.

“Foi o ano mais feliz da minha vida”, disse Boyle, 12 meses depois de começar a experiência, “e não vejo nenhum motivo para voltar a um mundo orientado pelo dinheiro”.

“Foi libertador. Há desafios, mas não tenho o estresse de uma conta bancária, contas, engarrafamentos e longas horas em um trabalho do qual que não gosto.”

A parte mais difícil, conta ele, foi manter uma vida social sem dinheiro, mas ainda assim ele classifica o ano como tendo sido “fantástico”.

Boyle continua a viver no trailer em Timsbury, no sudoeste da Inglaterra, onde cozinha em um fogão de lata movido a lenha e colhe comida nas florestas, além de plantar alguns legumes para seu próprio consumo.

Ele também construiu um banheiro séptico – uma fossa – do lado de fora do trailer, onde um biombo de madeira garante sua privacidade.

Para garantir a eletricidade, Boyle usa painéis solares. Ele também usa um chuveiro solar – um saco de água coberto de preto, que esquenta sob o sol.

Boyle tem acesso à internet de banda larga em troca de serviços em uma fazenda próxima, e criou o site Just For The Love of It (“Só por amor”, em tradução livre), onde promove a troca de serviços e empréstimo de objetos e ferramentas entre seus membros, pela simples “bondade”.

Sua ideia é que as pessoas passem a confiar mais umas nas outras e comecem a se ajudar e trocar favores.

Ao começar a experiência, Boyle disse acreditar que “a falta de relação que temos do que consumimos é a primeira causa da cultura de desperdício que vivemos hoje”.

“Se tivéssemos que plantar nossa própria comida, não desperdiçaríamos um terço dela.”

Sua mensagem, diz ele, é: “consuma um pouco menos”.

“Não espero que ninguém vá ao extremo do que fiz neste ano, mas temos questões como o ponto sem retorno das mudanças climáticas chegando, e acredito que temos que levar essas coisas a sério.”

“Então, use menos recursos, use menos dinheiro e um pouco mais de comunidade. Essa, provavelmente, a mensagem que eu daria.”

(A notícia saiu aqui).

Sempre entendi que a Igreja era profeta sobre a sociedade, ou seja, a Igreja tem o dever de denunciar o caminho pecaminoso do homem, e a única alternativa viável, que é Jesus. Também sempre entendi que a Igreja se reúne sempre ao redor da Palavra, dos sacramentos e da disciplina. Mas em nossos tempos de apostasia, onde um sujeito entupido de soberba, arrogância e ganância anuncia seu desligamento de sua convenção de pastores, afirmando ser esta uma orientação de Deus (como se Deus orientasse divisões!), temos a profecia da sociedade sobre a Igreja. Um economista nos denuncia nosso orgulho e nosso materialismo. Uma pessoa sem uma ligação aparente com igrejas serve mais de exemplo que pretensos homens de Deus que correm atrás de dinheiro, prestígio, fama e poder.

Louvado seja Deus, que não Se deixa sem testemunha!

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6 comentários so far
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Paz seja contigo

Deus ainda continua usando as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias.

quem imaginaria….

um economista despojado da riqueza

um pastor apegado a ela……

tempos dificeis

Permaneçam na graça e nela frutifiquem

Nicodemos

Comentar por Nicodemos

Pois é, a coisa tá braba mesmo!

Comentar por revdigao

Entendo perfeitamente o que este rapaz quis dizer.

Às vezes comparo minha vida cheia de futilidades e corre-corre com a de parte de minha família que vive na roça, no interiorzão do Ceará, e, em muitos aspectos, creio que eles vivam bem mais felizes e satisfeitos que eu, que vivo numa cidade.

A vida com pessoas de estilo de vida simples e diferente do nosso sempre tem um grande impacto em nossa leitura da realidade. Uma pena que muita gente não tenha acesso a isto.

Pensando bem, é uma opção que não se subtrai a ninguém, não é?

Grande abraço, Digão!

http://www.nao-obrigado.blogspot.com

Comentar por Avelar Jr.

Estou acompanhando ( muito recentemente) com muito interesse esse movimento de blogs brasileiros denunciando esses “pretensos homens de Deus que correm atrás de dinheiro, prestígio, fama e poder”. Me identifiquei logo de cara, apesar de não ser brasileira, vivi por alguns anos no Brasil e consigo entender toda a indignação e a razão de ser deste movimento.

Mas a publicação deste texto me deixou com algumas duvidas e acho que cabe um esclarecimento se
Se publicou o texto com o intuito de chamar a atenção contrastando estes extremos economista/pastor , que deveriam estar em extremos opostos ao que se encontram,
Se está a fazer apologia deste estilo de vida?

Comentar por Mirian

Mirian, um pouco de tudo. Escrevi para apontar como uma pessoa não ligada ao cristianismo (pelo menos “oficialmente”) vive princípios cristãos, enquanto que nossos popstores são tão desavergonhadamente gananciosos. Ninguém precisa morar num trailer que ganhou de terceiros, mas achar que morar em uma mansão hollywoodiana é da vontade de Deus é demais, não é? Se alguém mora em uma mansão, deve ser grato a Deus. Mas não deve colocar seu coração naquilo. E é isso que vejo nos popstores daqui. É só ver a mansão que Edir Macedo construiu para si. É vergonhoso!
Ah, pelo seu estilo de escrita, você deve ser de Portugal. Acertei? Se for isso, há também um sujeito por aí bem danoso também, o Jorge Tadeu. Já o vi pregando aqui no Brasil. O sujeito não tem mentalidade pastoral cristã, tem mentalidade empresarial/gerencial. É triste!
Um abraço!

Comentar por revdigao

Olá,
Não acertou, eu sou de Cabo Verde, um arquipélago formado por dez ilhas e que fica situado na costa ocidental Africana. Um pequeno paraíso de gente muito simpática, acolhedora e que vê no Brasil um país irmão, que teve e tem muita influencia na nossa cultura. Falamos o Português também, mas a nossa língua materna é o cabo-verdiano ou o crioulo.
Não conhecemos cá o Jorge Tadeu, mas a Universal (juntamente com a record e seus programas da madrugada) e outras importadas do Brasil já estão por cá infelizmente.
A realidade Cabo-verdiana ainda não se compara à brasileira e os pastores destas seitas têm sido mantidos de certa forma à margem pela igreja de Cristo em Cabo Verde.
O perigo maior quanto a mim, são os CDS, DVDs e livros que importamos (porque não existe um produção nacional), por exemplo pregações de SILAS MALAFAIA, que de forma mais sorrateira têm entrado em nossas igrejas em CV, muitas vezes sem que haja muita crítica e muito discernimento em separar o que é bom do mau.
Mas existem outras coisas boas do Brasil por cá, a MPC – Mocidade para Cristo que tem feito um trabalho excelente com estudantes por exemplo.
Parabéns pelo Blog e um grande abraço desde Cabo Verde.

Comentar por Mirian




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