Blog do Digão


Dois textos para o domingo
19/12/2010, 8:57 pm
Filed under: igreja, Pastorado de verdade

Equilíbrio

Martyn Lloyd-Jones

O apóstolo já nos tem exortado nesta Epístola aos Efésios acerca do que ele chama “parvoíces e chocarrices”. Não devemos ser pomposos, não devemos apresentar-nos com excessiva seriedade, mas isso é muito diferente do erro das “parvoíces e chocarrices”. Muitas vezes fico surpreso por ouvir cristãos cedendo a essas “parvoíces e chocarrices”. Verifiquemos que não estamos produ¬zindo uma atmosfera nociva com esse tipo de coisa. Essa espécie de conversa pertence ao mundo, não a nós. Isso é a instrução das Escrituras.

O mundanismo, naturalmente, tem muitas formas, e há perigos específicos. O apóstolo adverte Timóteo, na Primeira Epístola, capítulo 6, versículo 9: “Os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Paulo aí condena o amor ao dinheiro. O dinheiro como tal não é mau, se o homem o usa apropriadamente, como despenseiro do Senhor Jesus Cristo. Contudo, no momento em que o homem começa a amar o dinheiro, entra o pecado. Tenho bastante idade para poder dizer que tenho visto muita gente boa sair-se mal nesse ponto. Uma vez que acontece isso, a temperatura espiritual sempre abaixa, e ocorre uma rápida perda de vigor espiritual. Conheci homens que foram convertidos de uma vida muito pecaminosa, e que, por causa da sua conversão, começaram a dar atenção ao seu trabalho, progrediram e tiveram sucesso; e tive a infeliz experiência de ver alguns deles caírem na armadilha de que estamos falando. Antes, jogavam fora o seu dinheiro; agora, começaram a amá-lo. Ambos os extremos são maus.

Outra causa da perda de vigor e energia espiritual, e de deixar de ser “forte no Senhor e na força do seu poder”, é a enervante atmosfera da respeitabilidade. É um perigo muito comum na Igreja. Às vezes me pergunto se não é a maior maldição na hora presente. Pelo menos, as estatísticas provam claramente que, por uma razão ou outra, o cristianis¬mo atual não está sensibilizando as classes trabalhadoras deste país. Será, às vezes me pergunto, porque estamos dando a impressão de que o cristianismo é só para as respeitáveis classes médias? Examinemo-nos a nós mesmos sobre isso. Tememos a manifestação do Espírito? Pesa sobre nós a culpa de apagar o Espírito? Tememos a vida, o vigor e o poder? Quantas vezes vi homens que começaram com fogo se tornarem cristãos simplesmente respeitáveis, finos – inúteis, sem nenhuma energia, sem nenhum vigor, sem nenhum poder!

Permitam-me ilustrar isso outra vez com fatos da esfera do ministério. Conheci homens que entraram no ministério e que sem dúvida eram homens chamados por Deus, cheios de paixão pelas almas e revestidos de poder na pregação. Vi-os terminarem apenas como bons pastores, bons visitadores. Visitar faz parte do ministério pastoral; mas se o homem se torna apenas um homem agradável, um pastor bondoso, excelente para receber-se em casa, alguém que toma uma xícara de chá com você, é trágico. Que tragédia o profeta acabar sendo tão-somente um homem amável e um pastor bondoso! Mais uma vez estamos vendo que sempre devemos procurar evitar os extremos. No entanto, não há nada que possa ser tão enervante como esse tipo de atmosfera fina e respeitável, na qual ficamos temendo quase tudo, e, acima de tudo, ficamos temendo a manifestação do poder do Espírito Santo. Por isso, começamos a “extinguir o Espírito”!

É evidente que há aplicações intermináveis deste tema. Ele constitui o fundo e base racional do ensino que se vê em 2 Coríntios, capítulo 6, sobre “não nos prendermos a um jugo desigual com os infiéis”. Isso se aplica primariamente ao casamento. A razão pela qual o cristão não deve casar-se com alguém incrédulo é que, fazendo isso, ele se põe numa atmosfera nociva, que tende a minar a sua energia e vitalidade espiritual. Isso é inevitável, como se vê no fato de que desse modo ele se associou e se prendeu a alguém que não tem vida e entendimento espiritual. Ele, não o seu cônjuge, é que sofrerá as conseqüências. Por conseguinte, somos exortados a não nos sujeitarmos a um jugo desigual com os infiéis.

Peguei daqui.

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O Deus Altíssimo tornou-Se um de nós

John Starke

Tenho certeza de que você já ouviu essa pergunta antes: qual é o pecado fundamental por trás de todo pecado? É uma questão que busca chegar ao centro de toda rebelião humana. As respostas comuns são orgulho ou idolatria. Ambas as respostas parecem convincentes. Eu já ouvi glutonaria, uma vez que o primeiro pecado envolveu comida. Isso pode ser uma extensão dele. Não importa como você o chame, a promessa da serpente – vocês serão como Deus (Gn 3.5) – parece ser decisivo para a decisão de Eva de comer o fruto.

A tentação da serpente significava mais que simplesmente ser divino. Adão e Eva já eram a coroa da criação, a imagem de Deus. Eles eram, por assim dizer, os governantes do mundo e co-regentes de Deus. A tentação era uma tentativa de embaçar a distinção Criador-criatura. Ia fundamentalmente contra como Deus descreve seu relacionamento com tudo mais: “Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus” (Is 45.5). Ela confunde quem Deus é e quem somos em relação a ele. A ilusão é mais significante que Pinóquio querendo ser Gepeto. Eva, a criatura, queria ser como Deus, o Criador e Incriado.

Essa distinção é profundamente clara nos governantes das nações durante a queda e exílio de Israel. Note a pretensão do rei da Babilônia em Isaías 14.14: “Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo”. Ele não reinava apenas sobre a Babilônia, mas havia conquistado o mundo e procurava ser algo mais:

Subirei aos céus;

erguerei o meu trono

acima das estrelas de Deus;

eu me assentarei no monte da assembleia,

no ponto mais elevado do monte santo.

Subirei mais alto que as mais altas nuvens;

serei como o Altíssimo”. (Is 14.13,14)

Ele não estava contente em ser o apenas o conquistador da nação. Ele queria reinar sobre céus e terra. Essa presunção pseudodivina é a mesma da tentação de Eva. Ambos perderam de vista a identidade singular de Deus e seus lugares como criaturas. Ambos são exemplos de alta traição. São figuras da rebelião humana.

Enquanto a rebelião humana é o anseio do homem de ser como Deus, é a gloriosa graça do Evangelho que Deus tenha se tornado homem. Deus Filho montou sua tenda conosco e se tornou como nós em todos os aspectos. Isso é a Encarnação, os tijolos da obra salvífica de Deus em Cristo: ele é tanto Senhor Todo-Poderoso quanto nosso Irmão. O Deus eterno tornou-se pequeno por aqueles que queriam subverter sua grandeza. Ele assumiu o lugar daqueles que queriam tomar o seu. O Bendito tornou-se uma maldição por nós. Ele aceitou o julgamento por pecados cometidos contra sua pópria glória. Mais ainda: nós, os orgulhosos, rebeldes, caçadores de glória pessoal, recebemos sua postura perfeita. Não somos apenas perdoados de nossas transgressões, mas as mesmas palavras ditas a Jesus no seu batismo pelo Pai: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Lc 3.22) agora são atribuídas a nós! Como uma flor que nasce de seu terreno fértil, assim o Evangelho de Jesus Cristo flui da verdade da encarnação do Filho de Deus.

A história do Natal tem algo a dizer àqueles que desejam ser grandes. Há Alguém que é gloriosamente maior que qualquer coisa nos céus ou na terra. Ele se tornou amaldiçoadamente pequeno, a fim de que em Cristo nos tornássemos maiores do que jamais pudemos imaginar. Não precisamos pecaminosamente desejar amor e adoração, porque fomos muito amados por Deus, cujo amor nos satisfaz mais que a admiração dos outros. Nisto está o amor: embora quiséssemos obstinadamente ser como Deus, Deus se humilhou e tornou-se como nós.

Esse eu achei aqui.

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