Blog do Digão


The end
17/10/2013, 4:11 pm
Filed under: Genizah Virtual, geral, igreja, Pastorado de verdade, Ultimato, vida de gado

the-endTudo na vida acaba. Coisas boas, coisas ruins. Até a vida acaba. E este blog acabou. A gente se vê por aí.



As ovelhas de Tashlam
01/03/2012, 2:54 pm
Filed under: geral

Escrevi este texto há muito tempo, antes mesmo de ter este blog ou participar do Genizah. Na internet só participava do site da revista Ultimato. Como o texto é bem extenso, joguei no GoogleDocs, e espero que vocês curtam. Cliquem aqui.

 



Dor de tristeza
27/02/2012, 6:02 pm
Filed under: Genizah Virtual, geral

Há dias em que, a despeito de terem acontecido coisas boas a você, vindas diretamente do Pai, você fica triste, meio chocado, com uma sensação ruim no peito.

Hoje, chegando ao trabalho, ligo o PC e leio a triste notícia que a Sociedade Bíblica do Brasil publicou a “Bíblia Apostólica”, com notas do sr Estevan Hernandes, autoproclamado apóstolo, e com introdução do Sr. Renê Terranova, autoproclamado patriarca. Mesmo sabendo que a SBB é uma empresa privada, e que em nossa sociedade capitalista o lucro é um objetivo a ser alcançado, vi que um limite, o da ética, do bom-senso e o da sã doutrina, foi ultrapassado. Puxa, a SBB é empresa privada, mas publica Bíblias! A Bíblia não pode ser fetichizada ou coisificada. Não é commodity ou debênture. Com certeza o empreendimento “apostólico” vai vender horrores neste hospício que se tornou a igreja evangélica. Mas o custo social para a SBB será altíssimo.

Logo, leio uma segunda notícia, a de que d. Robinson Cavalcanti e sua esposa morreram esfaqueados pelo filho adotivo. Acompanho d. Robinson desde minha conversão, há 23 anos atrás. Ele ajudou-me a entender melhor o mundo à minha volta. Seus escritos sobre cristianismo e política, especialmente, me fizeram entender que ser um cristão de esquerda é uma proposta válida de exercício de cidadania e fé. Seu posicionamento firme contra a avalanche ideológica do movimento gay-hedonista, seu repúdio à teologia liberal e seu alerta contra o fundamentalismo secular me alegraram por ver uma voz profética em meio ao caos religioso em que nos encontramos. Infelizmente, as drogas fizeram com que seu filho adotivo cometesse um desatino desses.

As pessoas direitas morrem, e ninguém se importa; os bons desaparecem, e ninguém percebe. É o poder do mal que os leva embora, mas eles encontram a paz. Os que vivem uma vida correta descansam em paz na sepultura (Is 57.1, 2, NTLH). D. Robinson está, com certeza, na paz do Pai. Nós, que aqui ainda militamos, e que nos chocamos com tantos desatinos cometidos em Seu nome (mas não certamente em Seu espírito), somente temos o que lamentar, a suplicar e a clamar. A lamentar, a tristeza de saber que um irmão que nos auxiliou em nossa caminhada cristã já não está mais entre nós; a suplicar, a misericórdia do Altíssimo em tempos em que a paganização do cristianismo evangélico brasileiro avança paulatinamente; a clamar, volta logo, Senhor!



Outra forma de contar o Natal
24/12/2010, 3:13 pm
Filed under: geral

O filósofo polonês Leszek Kolakowski, no final dos anos 1950, falou sobre o Natal com tanto humor e perspicácia que não resisto a apresentar uma versão abreviada de seu relato. Ei-la.

Em um certo 25 de dezembro, o astrólogo-chefe de Herodes foi até a casa de seu mestre para lhe anunciar o nascimento, sob o signo de Saturno, de uma criança cujo destino era se tornar rei dos judeus. Ele acrescentou, sem tirar qualquer conclusão disso, que o poder de Herodes estava ameaçado por esse acontecimento. O rei, um tanto cético, considerando os personagens modestos aos quais Saturno geralmente oferece sua proteção, perguntou assim mesmo, por medida de precaução, onde essa criança havia nascido, antes de dispensar o astrólogo e reunir seu conselho.

Os quatro maiores dignitários do reino, cada um deles representante de uma perspectiva filosófica bem distinta, faziam parte dessa alta instância. Herodes lhes anunciou que, diante da impossibilidade de determinar de qual criança se tratava exatamente, uma vez que os astros se calavam sobre esse assunto, ele decidiu massacrar todos os recém-nascidos da cidade de Belém. E sobre isso os quatro conselheiros foram convidados a se exprimir, um de cada vez.

O primeiro era um estoico. Ele ressaltou que o destino não podia ser modificado, e que, portanto, era melhor deixar todos aqueles bebês em paz, entregando a questão para a divindade. De fato, se ela havia decidido o nascimento de um novo rei dos judeus, o fato poderia ser lamentável, mas nada poderia alterar o curso das coisas. Como dizem, se te derem limões, faça uma limonada.

O segundo, um epicurista, refutou a inevitabilidade do destino, e argumentou que o crime coletivo poderia talvez ter o efeito desejado: eliminar um concorrente. Mas ele aceitou a conclusão de seu confrade, por ser imoral atacar frágeis criaturas que não dispunham de nenhum meio de defesa.

O terceiro, um moralista religioso, também negou a predestinação, e aceitou a ideia de que o crime poderia salvar o poder real, mas ressaltou que o assassinato não seria vantajoso a longo prazo, em razão da justiça divina, que geralmente não era favorável ao extermínio de recém-nascidos. Portanto, se Herodes massacrasse inocentes, após sua morte estaria sujeito a um castigo perto do qual a perda do poder seria uma ninharia.

Nesse ponto da história, o caso decididamente não se encaminhava a favor dos planos de Herodes. No entanto, ainda restava o quarto conselheiro, um político (ou, se preferirem, um sofista), que argumentou de uma forma totalmente diferente de seus predecessores. Herodes sabia, por experiência própria, que podia contar com ele. É absurdo, ele disse, afirmar que os recém-nascidos são incapazes de se defender, pois todo inimigo morto está exatamente na mesma situação: na verdade, se ele fosse capaz de se defender, não teria sido morto. Portanto, não há nenhuma diferença entre as crianças, por mais jovens que sejam, e as hordas de legionários cobertos de aço. Ademais, na luta pelo poder, tudo é permitido. No final, para completar, o político lembrou que o princípio da responsabilidade coletiva é o mesmo do pecado original: Adão e Eva não seriam na verdade os únicos responsáveis por inúmeras tragédias de inúmeras gerações? Qual a diferença entre a história do mundo e o assassinato coletivo anunciado por Herodes?

O rei, satisfeito, fechou o conselho, declarou todos seus conselheiros favoráveis ao massacre, e foi executar seu plano. A sequência, todos sabem: os recém-nascidos foram mortos a golpes de espada, enquanto a pequena criança visada tomou a estrada para o Egito montada em um jumento.

O epílogo, em compensação, é contado com muito menos frequência, sendo que ele contém a moral de toda a história. Ele ocorre dezenas de anos mais tarde, nas chamas do inferno, onde Herodes encontra seus quatro conselheiros acompanhados do astrólogo. Cada um levava no peito, segundo a tradição infernal mais difundida, uma placa indicando o crime cometido.

Para Herodes e o político, o caso era simples: ambos foram condenados por infanticídio. O estoico foi condenado por ter professado a doutrina herética do fatalismo e ter propagado um derrotismo que enfraquecia a luta que ele deveria conduzir na Terra pela causa divina. O epicurista foi condenado por ter desdenhado da questão do poder e assim contribuído para a anarquia. Quanto ao moralista religioso, ele foi condenado por ter defendido uma falsa moral, fazendo de Deus um mero contador e se baseando no cálculo das consequências no além dos atos cometidos aqui, e não na verdadeira moral que nasce do amor desinteressado da divindade.

Mas e o pobre astrólogo, vocês dirão, que só relatou aquilo que os astros diziam, por que ele teria sofrido o mesmo destino que os outros cinco? Era isso que ele mesmo não conseguia entender. Eis, então, o que estava escrito em sua placa, e que pode dar lugar a mais de uma reflexão entre os leitores: “Condenado por ter transmitido falsas informações com consequências funestas”. Na verdade, ao anunciar que havia nascido um rei dos judeus, o astrólogo se esqueceu de acrescentar um elemento essencial: esse reino não era deste mundo.

O texto é de Thérèse Delpech, cientista política e filósofa, especialista em questões de defesa, e pode ser achado aqui.



O Servo Sofredor
30/10/2010, 1:42 am
Filed under: geral

Leviticus, uma das primeiras bandas cristãs de metal, gravou, nos anos 80, o álbum Setting fire to the earth. No disco tinha essa música baseada em Is 53, The suffering servant. Aproveitem essa maravilha.

 



Ainda as eleições
27/09/2010, 10:28 pm
Filed under: geral

Estas eleições entrarão para a história. Bom, clichê à parte (toda eleição é histórica, ora bolas!), a verdade é que este período eleitoral está sendo bom para a queda de máscaras.

Nunca vi tanta mentira, tanta manipulação, tanta ameaça. E digo isso em relação a nós, evangélicos. Transformaram uma escolha democrática (quem vai escolher é a maioria do povo, não é?) em uma guerra santa, quase uma jihad gospel. Ou melhor, uma jihad ecumênica, pois setores católicos embarcaram nessa sandice também.

Quando coloquei aqui meu posicionamento político a favor da Dilma, quase fui crucificado. Quando questionei o posicionamento eleitoreiro de Pascoal Piragine, o “quase” da frase anterior foi retirado. Só faltaram xingar minha mãe. Mas em nome de Jesus, que fique bem claro. Alguns apoiaram, outros discordaram de maneira racional e educada, mas muitos partiram para o ataque funesto. Tive que censurar muita coisa. Afinal, esse blog é um blog de família…

Não sei a razão de se preocuparem com a questão do aborto só agora. Infelizmente, no dia 4 de outubro, sei esse tema será esquecido de novo. Além disso, há uma tremenda guerra de desinformação, tentando ganhar corações e mentes através da mentira e falseamento de dados.

Deus não vai pesar a mão sobre o Brasil caso algum dos candidatos chegue à presidência em detrimento de outro. Vivemos no período da Nova Aliança, e o Brasil não é uma teocracia, e sim uma republica federativa e democrática. Não, a iniqüidade não será institucionalizada com apenas um partido no poder. Temos iniqüidade institucionalizada há, pelo menos, 500 anos de história brasileira. Só agora lembraram disso e resolveram falar publicamente?

É engraçado como se esquecem dos escândalos das ambulâncias, que o Serra protagonizou, ou a posição pela descriminalização da maconha apoiada pelo partido da Marina, ou ainda o escândalo da compra de votos pela reeleição de FHC, mentor tucano.
Mas o mais engraçado, mesmo, é que, na tentativa de se defender a verdade, usam de todos os meios, inclusive a mentira. Ora, ao se usar a mentira para defender a verdade, a verdade se torna mentira. Engraçado, não. Triste. Especialmente por ser a posição de muitos que pregam a Palavra Brasil afora.

Para concluir: vote em quem quiser. O Brasil é um país livre. Mas não aceite ser manipulado. E nem aceite ser manipulador. Honre o testemunho de Cristo em sua vida!

ATUALIZAÇÃO: Para ajudar, veja abaixo links que desmentem as mentiras perpetradas por “pregoeiros da verdade”:

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p



Púlpito e eleições
04/09/2010, 1:38 pm
Filed under: geral

Há um vídeo circulando na internet onde um renomado colega tece críticas políticas e pede para que não se vote no PT.

Fico muito à vontade para escrever isso porque não sou filiado ao PT, embora, como já havia dito aqui, voto na Dilma. Mas o que me motiva a escrever um tipo de resposta é a manipulação de fatos e o uso da teologia do domínio que o colega usou.

A teologia do domínio afirma que a igreja tomará o poder temporal da terra, poder este dado por Deus através do voto do povo de Deus e até dos incrédulos. Caso não seja pelo voto, que seja à força. Caso não dê certo, e os iníquos continuem no poder, Deus pesará a mão sobre o país. Afinal, os planos de Deus não podem ser frustrados, certo?

E quem disse que os planos de Deus seriam de a igreja tomar o poder temporal? Isso é fruto de Constantino, e não de Jesus! O cristão deve ser cristão em qualquer circunstância! Na China, há apoio ao aborto e perseguição contra a igreja. Como será que a igreja lá se comporta? Será que ela tem tempo de discutir, em ambiente confortável e com estacionamento, no meio da massa cheirosa, posicionamentos ideológicos mesclados com pregação?

Não posso falar do que ele prega, quando prega a Bíblia. Afinal, é uma pessoa honrada na pregação e no caráter cristão. Mas, para mim, cometeu, no vídeo, algo tão ruim quanto pessoas que usam o púlpito para se darem bem. Usou o púlpito para posicionar a igreja politicamente, o que é condenável.

Não seria necessário pedir à sua platéia não votar no PT. Ele é pastor de uma igreja batista no bairro mais elitista (Batel) da capital brasileira mais elitista (Curitiba). Não entendo a razão de não ter se manifestado, no momento certo, contra a iniquidade institucionalizada com o ex-governador Jaime Lerner matando sem-terra, ou com a administração do ex-prefeito Cássio Taniguchi, ou com o ex-ministro Rafael Greca dizendo que a pobreza tinha algo de “chapliniano”. Também não entendo porque esse grupo do qual agora ele faz parte ter apoiado inicialmente a ditadura militar, não denunciando, antes do AI-5, a iniquidade institucionalizada dos militares. Será que a indústria da seca, que fez a fortuna de vários políticos de direita no nordeste, foi denunciada também como iniqüidade institucionalizada por estas pessoas? Será que o trabalho escravo, as condições subumanas de trabalhadores da cana-de-açúcar, o abuso sexual contra crianças e adolescentes feito por religiosos ou a ostentação fútil de nouveau-riches gospel também foi denunciada como iniqüidade?

Como disse e reafirmo, vivemos em um país livre e cada um vota como quer. Também expus minha opinião. A diferença é que aqui não é um espaço eclesiástico. Blog não é púlpito de igreja, onde a Palavra, e só ela, deve ser pregada, e não manipulação política rasteira. Nunca, em toda minha vida, usei o púlpito para falar ao público para se votar em determinado candidato ou não se votar em outro. Não foi por falta de oportunidade, é questão de princípios, de se separar Igreja e Estado.

O mais interessante é queAndré Zacharow, diácono da referida igreja, é candidato a deputado estadual, pelo PMDB. Partido coligado nacionalmente ao PT (o vice da Dilma é Michel Temer). Será que ele também não deve ser eleito, já que seria, também, responsável pela iniqüidade institucionalizada? Portanto, em nome da coerência, não permita que seu diácono se filie ao PMDB! Nem ao DEM, partido campeão de cassassões, oriundo diretamente da ARENA! Nem ao PTB do Roberto Jefferson!

Só uma coisinha: será que os primeiros apóstolos, que viviam em um período pagão, com o homossexualismo como parte da cultura, violência desmedida contra o ser humano, perseguições políticas e religiosas, diriam para irem contra o Estado? Acho que disseram algo diferente: Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. (1Tm 2.1-4). Mas eles também disseram, para nossa proteção: Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo (Cl 2.8).