Blog do Digão


The end
17/10/2013, 4:11 pm
Filed under: Genizah Virtual, geral, igreja, Pastorado de verdade, Ultimato, vida de gado

the-endTudo na vida acaba. Coisas boas, coisas ruins. Até a vida acaba. E este blog acabou. A gente se vê por aí.

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Medievalices
28/05/2012, 5:18 pm
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Agostinho (354-430) nasceu em Tagaste, no norte da África, onde atualmente fica a Argélia. Teve uma vida dissoluta, mesmo para os padrões de seu tempo. Envolveu-se com várias mulheres, chegando a ser um pai “avulso”. Também envolveu-se com os maniqueístas, seita de seu tempo que entendia que o universo era regido por duas forças antagônicas (bem e mal) de igual força e potência. Tendo viajado à Itália, a contragosto de sua mãe cristã, Mônica, abandonou o maniqueísmo e abraçou o ceticismo neoplatônico, mas logo encontrou-se com Deus, ouvindo Sua voz enquanto passeava em um jardim.

Sua conversão influenciou não apenas sua geração (para usar um jargão da moda), mas também a nossa. Ele foi o responsável pela “dessatanização” da filosofia em seu tempo, especialmente Platão. Ajudou a formatar o pensamento ocidental, a teologia, a filosofia e o direito. Debateu contra a heresia de Pelágio, que afirmava que a salvação podia ser produzida por Deus com a ajuda do homem, e venceu a disputa. Foi o último dos chamados pais latinos da Igreja, e também o maior deles. Seu pensamento também ajudou grandemente a Reforma Protestante (Martinho Lutero era monge agostiniano), que brotou cerca de mil anos após sua morte. Se você entende que somente a graça de Deus é capaz de redimir o homem de maneira sobrenatural, ou que o homem é irremediavelmente corrompido pelo pecado, agradeça a Deus pela vida de Agostinho.

Agostinho foi a “porta de entrada” da chamada Idade Média, assim como Tomás de Aquino foi sua “porta de saída”. A Idade Média viu florescer absurdos como o papado absolutista e a Inquisição, fruto direto desta, como também a sede desmedida por dinheiro através da venda de indulgências. Viu também o florescimento de crendices e superstições por parte de um povo que não era instruído na Palavra. Mas viu também homens e mulheres santos como João da Cruz, Teresa de Ávila, Jan Hus, Francisco de Assis, Girolamo Savonarola e John Wycliffe, além dos próprios citados Agostinho e Aquino. Foi na Idade Média que também surgiram centros de preservação do conhecimento, os mosteiros, que deram nascimento às universidades.

Por tudo isso vejo como desonestidade histórica e intelectual a peroração de Ricardo Gondim ao afirmar que deveríamos rever o conceito “medieval” de salvação. A picaretagem teológica do arauto do teísmo aberto agora quer atingir o cerne da mensagem bíblica. Enfim, para quem afirmou carnavalescamente que não quer mais se identificar como evangélico, mas segue sendo pastor de uma igreja evangélica, ou questionando a influência dos estadunidenses no ethos evangélico brasileiro mesmo devendo sua formação teológica a uma instituição estadunidense, coerência não é mesmo um referencial.



Um conto de fadas
10/05/2012, 1:05 pm
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Há um novo seriado na TV fechada (e através de downloads) muito bom, chamado Once upon a time – em português, Era uma vez. Apesar de parecer bobinho à primeira vista, torna-se cativante à medida que sua mitologia interna se desenrola: nas histórias de contos de fada, Branca de Neve está para dar à luz a uma menina, e esta criança salvaria todo o reino mágico de uma maldição lançada pela Rainha Má. Esta maldição se concretiza ao trazer todos aqueles personagens – Branca de Neve, Príncipe Encantado, os Sete Anões, Cinderela, etc. – até nossa realidade sem nenhuma magia. Além disso, eles vivem entre nós completamente desmemoriados, com uma vida simples e comum – Branca de Neve é professora de crianças, o Caçador é o xerife, o Grilo Falante é o psicólogo local, e por aí vai. Acontece que o que faz a série ser cativante é a complexidade dos personagens, nunca antes vista: o Espelho Mágico seria, antes, um gênio da lâmpada que se apaixonou perdidamente pela Rainha Má, e foi aprisionado no espelho como punição; a Rainha Má também sofre com suas maldades, que são fruto parcial de uma falha de caráter da Branca de Neve; o Príncipe Encantado é, na verdade, um impostor; e nem vou falar quem é verdadeiramente o Lobo Mau para não estragar a surpresa.

Quando lemos a Bíblia, ela nos revela que os personagens históricos ali retratados eram tudo, menos seres unidimensionais: o rei Davi, homem segundo o coração de Deus, era péssimo pai, péssimo marido e péssimo governante, mas ainda assim arrependia-se de seus pecados; o profeta Jeremias, chamado por Deus para anunciar Sua Palavra ao povo, sofria crises existenciais e de fé terríveis no cumprimento do dever; Jonas, chamado a pregar em uma cidade estrangeira, decidiu fugir para não ter que cumprir sua vocação, que foi, relutantemente, cumprida após a experiência com o peixe; Paulo, apóstolo enviado aos gentios, tinha um passado assassino que não fazia questão de esconder, amparando-se, contudo, não na própria experiência, mas na Graça; Marcos, posterior discípulo de Pedro e um dos evangelistas, foi, no passado, um “boyzinho” e o motivo da cisão entre Paulo e Barnabé; Pedro, o primeiro líder da igreja, comportou-se de maneira reprovável na igreja da Galácia; Jesus, nosso Senhor e Deus, sofreu fome, sede, teve crise depressiva e ficou muito bravo com o mercantilismo religioso de Seu tempo.

A igreja evangélica brasileira, que hoje em dia é qualquer coisa menos verdadeiramente evangélica, tem reduzido a multidimensionalidade humana a uma triste unidimensionalidade. Qualquer traço de diversidade de dimensões e experiências é logo rechaçado. Segundo a mensagem pagã que infesta os palcos das performances dominicais e infecta a alma do povo, qualquer outro destino que não seja a vitória, o sucesso e a vida regalada deve ser negado, a não ser que, numa mistura de epicurismo com hedonismo, o sofrimento pode ser permitido se trouxer um prazer (material) enorme ao seu fim. A mensagem pagã propagada nos hospícios que já se chamaram igrejas nada fala sobre real adoração a Deus, mudança de caráter, pecado ou arrependimento; em vez disso, transforma seus ouvintes em meros participantes de um festejo a Baal, que era o deus fenício da prosperidade, ou Baco, seu equivalente romano. Como os cultos a Deus, que prezam pela santidade e reverência ao Seu nome, foram trocados por verdadeiros bacanais palatáveis à classe média, pode-se fazer tudo, desde “trenzinhos” até mesmo surtos catárticos.

Jesus se tornou gente para que pudéssemos viver nossa humanidade para Sua glória. Mas Baal, o deus deste século e de grande parte da igreja evangélica, quer retirar a humanidade de circulação de nossas vidas, uma vez que ela reflete a obra de Deus. Tornando-nos personagens de contos de fadas, onde o final feliz é garantido no fim, glorificamos, mesmo, é apenas ao nosso ego doente. E ao próprio Baal.



No Princípio
08/05/2012, 5:37 pm
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No Princípio era o Verbo. O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele é a razão da existência do universo; sem Ele, nada do que existe hoje existiria. O Verbo é a luz dos homens; feito gente, o Verbo habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, a glória do Unigênito do Pai. O Verbo sofreu nossa morte para que vivêssemos Sua vida e nos chamou para sermos filhos do Pai.

O Verbo foi pregado, proclamado, vivido, testemunhado. Por causa do Verbo, muitos sofreram mortes atrozes, como Jon Huss, ou foram duramente perseguidos, co-mo Wycliffe. O Verbo foi traduzido para a língua do povo, como fez Lutero, para que o povo tivesse conhecimento do Verbo. O Verbo impulsionou servos para fora de sua zona de conforto, trazendo-os a terras de gente com uma língua estranha aos seus ouvi-dos, como o português. Pentecostais, como Gunnar Vingren e Daniel Berg, ou históricos, como Robert Kalley e Ashbel Simonton, deixaram tudo para trás para viverem o chamado do Verbo no Brasil. Católicos, como Francisco Xavier, e metodistas, como Hudson Taylor, foram para a Ásia (Japão e China, respectivamente) atendendo ao chamado do Verbo.

Mas hoje não é mais o Verbo. Hoje é a Emoção. Ela toma conta de tudo. É o paradigma existencial de um crescente grupo social que se denomina “evangélico”, mesmo que o Evangelho lhes seja apenas uma pálida sombra de algum tempo imemorial. O Verbo precisa ser examinado, meditado, pensado; já a Emoção, como o crack, tem efeito imediato; e, como o crack, exige cada vez mais uma dosagem maior.

A Emoção deixa o Verbo de lado, ou então manipula o Verbo ao seu bel prazer. A Emoção não se furta de fazer com que seus pregoeiros se ridicularizem na frente de uma congregação confortavelmente anestesiada, mandando beijos para alguma entidade mítico-cósmica a quem chamam de “Jesus”, apesar de não guardar nenhuma semelhança com o Jesus da história e da fé. A Emoção traz euforia plena e imediata; ao contrário do Verbo, a Emoção não exige arrependimento, mudança de vida ou conversão; apenas um salto de fé kierkegaardiano e um embotamento de todo senso crítico que possa com-prometer o mistério da Emoção que se desenrola. A Emoção seqüestra os significantes da fé protestante e lhes atribui novos significados, sem que haja protesto. Se para Descartes o axioma básico era “penso, logo existo”, para a Emoção e seus seguidores o pa-radigma é “Fico eufórico, então que se dane o resto”.

No Princípio era o Verbo. Hoje é a Emoção. Mas não vivemos no Princípio. Vivemos no Fim.



Relevante para quem mesmo?
23/02/2012, 6:08 pm
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Todos nós queremos ser cristãos relevantes no meio em que vivemos. Este tema é muito buscado ultimamente. Mas, afinal de contas, o que é ser relevante, e para quem queremos sê-lo?
Segundo o Aurélio, relevante é aquilo que é necessário ou que importa, de grande valor, interesse, algo importante.
Hum, então queremos ter uma fé importante, necessária, de grande valor… será que, em nossa busca de significados nesta barafunda religiosa em que vivemos, não estamos criando mais um significado, digamos, irrelevante?
Para quem queremos ser necessários e de grande valor? Imagino que não deva ser para o mundo. Afinal, segundo nos dizem as Escrituras, ele nos odeia (Jo 15.18, 1 Jo 3.13). Além disso, amar o mundo é um princípio contrário ao princípio cristão de obediência a Deus (1 Jo 2.15-17). Mundo, aqui, obviamente não significa a criação ou a humanidade, e sim o sistema filosófico em que repousa o pensamento do homem moderno, sistema esse abraçado ardorosamente por muitos que se arrogam ministros de Deus.
Será que queremos ser necessários e importantes para Deus? Se esse for o motivo, então concordaremos com vários mantreiros que cantam que o Senhor pode contar com eles, que nunca falharão com Deus, e que estão aí para o que der e vier. Infelizmente este tipo de pensamento se esquece de grandes personagens bíblicos como Abraão, Jonas, Elias, Pedro. Esquecem-se também que a Palavra afirma que nossa natureza é totalmente corrompida e pecadora (Jr 17.9), e que o Senhor, conhecendo-nos de ponta a ponta (Sl 139.3), não Se engana conosco, mesmo porque, em Sua soberania, Ele conhece até mesmo um futuro ainda inexistente em nossa dimensão temporal, mas perfeitamente conhecido em Sua dimensão atemporal, ou eterna (Sl 139.4).
Portanto, ser relevante para o mundo significa embarcar em sua loucura afastada de Deus. Ser relevante para Deus, por outro lado, significa abandonar completamente a doutrina cristã da salvação pela graça e passar a crer na salvação pelas obras.
Resta-nos, portanto, ser relevantes para nós mesmos. Num misto de deslumbramento e pseudo-humildade, vemos vários pavões desfiando seu vasto conhecimento histórico-teológico, esquecendo-se que a ortodoxia sem a ortopraxia é uma forma encoberta e socialmente aceitável de violência e agressão, fazendo brotar aquilo que Rubem Alves apropriadamente denominou de protestantismo de reta doutrina. Além disso, Jesus mesmo mostrou que, acerca das relações humanas, o padrão na igreja é completamente oposto ao do mundo (Mt 20.20-28). Com isso, esses pavões apenas desnudam sua arrogância e presunção, ainda que mascaradas com uma fina camada de pretenso zelo bíblico.
Sendo assim, não quero ser relevante. Não quero ser importante. Prefiro minha irrelevância, tão carente e necessitada da graça e da presença de Deus. Prefiro ser um nada, e assim ter meu vazio preenchido com Sua presença, a ser alguém necessário e cheio de si mesmo.


Não sou vencedor
23/08/2011, 1:57 pm
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Descobri que não sou um vencedor. A igreja evangélica, ultimamente, vem batendo incessantemente nesta tecla: se você é crente, é obrigatoriamente um vencedor. Será?

Bom, tive algumas vitórias bem rumorosas, outras discretas. A algumas, credito a Deus; a outras, ao meu esforço, capacidade e empenho próprios. Também tive alguns fracassos retumbantes, e outros silenciosos. A alguns, credito ao mal externo (o diabo e o mundo); a outros, ao meu mal interno (minha carne e minha inabilidade).

Isso faz de mim uma pessoa comum. E é isso que a igreja evangélica, com todo o seu discurso triunfalista, quer mascarar, esconder. Quer criar, a todo custo, um exército de pessoas de bem com a vida, sem dores ou sofrimentos, usufruindo toda a alegria do céu aqui e agora. Deixaram todo e qualquer traço de epicurismo (ou mesmo estoicismo) para trás e abraçam, sem nenhuma restrição, o corpo moreno, suado e sexy do hedonismo. Aliás, essa mania de querer perseguir a felicidade e todo custo tem formado uma geração de gente estupidificada, alienada, egocêntrica e insensível. Somos um simples reflexo de nossa sociedade doente.

Quando vemos a Bíblia, não encontramos nela nenhum traço daquilo que é apregoado hoje em dia. Os vencedores que a Bíblia retrata em Hb 11 são pessoas comuns, usadas por Deus, mas que passaram tremendas angústias, ou tiveram até mesmo mortes violentas. O profeta Isaías teve seu corpo serrado ao meio; Tiago morreu no fio da espada; Paulo foi decapitado; Pedro, segundo nos conta a tradição, crucificado de cabeça para baixo. Isso sem falar de Jesus que, por desafiar todo o sistema religioso putrefato de Seu tempo, foi pendurado na cruz, morte abjeta àqueles dias. Isso nos demonstra que todos aqueles que ousam desafiar o sistema religioso putrefato de nosso tempo também terão destino semelhante.

Sim, Jesus disse que passaríamos por aflições no mundo. Mas também disse que Ele venceu, não nós, e Sua vitória sobre o mundo foi a execução de seu propósito em Sua morte. Sim, a Bíblia afirma que somos mais que vencedores. Mas o contexto de Rm 8 não me autoriza a ser irresponsável e a apregoar um estilo de vida róseo. Em todas estas coisas, diz Paulo, somos mais que vencedores em Jesus. E que coisas são essas? Trata-se do mesmo argumento de Jesus, ou seja, a vitória sobre o mundo não é um carrão na garagem e uma vida livre de problemas, mas a nossa fé (1Jo 5.4). Permanecer fiel, mesmo debaixo de uma saraivada de balas por todos os lados, mesmo depois que “companheiros de jornada” te abandonam, é uma vitória, e daquelas bem sobrenaturais.

Portanto, da próxima vez que resolver ouvir um daqueles mantras pegajosos que exaltem incessantemente o seu ego e que se esquecem de mencionar o Filho, pense em Jesus morrendo como um bandido, no profeta Oséias se casando com uma prostituta, em Jeremias perseguido por Pasur e jogado em uma cisterna. Mas, principalmente, pense como apostatamos de modo ruidoso e contínuo da simplicidade do Crucificado, indo atrás da doce mensagem de Baal apregoada por pastores-vendedores-popstars da moda. Caso não sinta nenhum arrependimento ou tristeza com isto, é sinal que Javé não faz mais diferença, e Baal é sua nova realidade.



Star Trek gospel
17/01/2011, 8:02 pm
Filed under: igreja, Pastorado de verdade

Admito que sou um nerd. Gosto bastante de ficção científica, de assistir a seriados de desenhos animados, cujos enredos discuto animadamente com gente do meu nível intelectual, o que no caso são minhas filhas de 5 e 8 anos. Não leio tanto gibi quanto gostaria, mesmo porque aqui em Rondônia não chegam essas coisas do capeta e, quando chegam, ou são muito defasadas ou muito caras, quando não são as duas coisas ao mesmo tempo.
Uma série que gosto muito de assistir é Star Trek. Série, não. Séries. Jornada nas Estrelas já pariu onze filmes, uma série de desenhos animados e 4 séries derivadas dentro do universo da Federação Unida dos Planetas (A Nova Geração, Deep Space 9, Voyager e Enterprise), além de livros e revistas em quadrinhos. E já assisti a todos, sem exceção.
Mas uma coisa que gosto também é de teologia. Lembro-me que, ao assistir a uma das séries, ficava me perguntando sobre o alcance do sacrifício da cruz no universo: seriam também os alienígenas pecadores necessitados do perdão de Deus, ou será que eles ainda não experimentaram a desgraça do pecado? Bom, depois a gente volta no assunto.
Mas estive pensando nesse nosso mundinho gospel comparado ao mundinho trekker. Sei que Gene Roddenberry, criador da série, era ateu e avesso ao cristianismo. Mas, ainda assim, quem sabe, podemos fazer um exercício de imaginação com os personagens da série original, que é a mais conhecida. Como seria se eles fossem membros de igrejas evangélicas?
Capitão Kirk: charmosão, sempre dava um vôo rasante em cima da mulherada. Sempre se dá bem, apesar de apanhar um bocado. E gosta de comandar, de um jeito bem “apostólico”, ou mesmo “patriarcal”. Acho que é um modelo de neopentecostal.
Spock: sempre lógico, o vulcano não apresenta emoções, que são contrárias à sua natureza, apesar de ser meio humano. Sempre resolve tudo na base da racionalidade. Tenho pra mim que Spock era calvinista.
McCoy: sempre reclamão, brigava o tempo todo com Spock. Sempre discutia também com o capitão. Surtou certa vez ao aplicar em si mesmo, acidentalmente, um composto medicinal (nem me perguntem o nome) no episódio A cidade à beira da eternidade (um dos melhores do seriado original, por sinal). Possivelmente um crente “alternativo”, desses que abominam igreja (mas que formaram uma só para si mesmos), e que estão sempre no caminho, mas ainda não chegaram à casa do Pai, ou mesmo a alguma conclusão lógica isenta de sofismas.
Uhura: a primeira negra a protagonizar um seriado sem estar no papel de empregada ou escrava. Tratava das comunicações. Não falava muito, mas era eficiente no que fazia. Um tipo de batistão.
Chekov: o garotão da turma. Sempre empolgadão, dizendo que todas as invenções importantes da humanidade eram, na verdade, de gente da Rússia, seu país natal. Como sempre dizia coisas do passado, mas ninguém dava bola para o que ele falava, talvez ele fosse presbiteriano independente mesmo.
Scott: o engenheiro chefe da Enterprise. Eficiente, gostava de conhecer a fundo a parte técnica da nave, mas não tinha muito tempo para curtir a viagem. De vez em quando ficava de porre com os uísques que tomava lembrando a Escócia natal. Talvez um membro de alguma igreja liberal.
Sulu: tentei pensar em alguma coisa pra ele, mas não consegui. Talvez por ele entrar mudo e sair calado dos episódios, ou por recentemente assumir a homossexualidade (o ator, não o personagem), ele seria algum GG (gospel gay).